quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Guminha

O Guminha nasceu diferente, num dia 29 de fevereiro. Como o aniversário dele de verdade só acontece de quatro em quatro anos, ele decretou que a vida dele seria uma festa. Ele nasceu menino e vai permanecer menino por muito tempo. 
Ele tem os pés descalços muitas vezes, os joelhos ralados e a cabeça nas nuvens o tempo todo: o Guminha é um sorriso que anda apoiado num menino!
Ele não para quieto.
Ele fala demais.
Ele canta o tempo todo mesmo que erre toda a letra.
A gente nunca sabe quantos anos ele tem, nem o irmão dele, o Boca, sabe. Acho que nem a Dona Maria, que é mãe dos dois sabe ao certo. A idade é só um número, que tá escrita num papelzinho chamado "Certidão de Nascimento". O Guminha é mais que isso. Ele é um caleidoscópio em pessoa.
Um dia na escola a professora pediu que ele desenhasse a si. Explicou que isso se chama autorretrato.
Guminha não conseguia, por mais que tentasse se concentrar. A professora era muito esperta e logo viu que ele estava tendo dificuldades pra fazer sua tarefa. Chegou pertinho e disse que ele poderia terminar em casa, se olhar num espelho, ter ideias.
Naquele dia o Guminha deixou todo mundo preocupado, porque ao chegar em casa tinha o bolo de chocolate mais delicioso do mundo, que a Dona Linda, avó do Guminha fazia sempre, e ele nem quis nada. Estava preocupado com essa história de autorretrato.
Nesse dia, Guminha nem jogou bola com o Boca. Ficou deitado no chão, olhando pro nada, pensando em quem ele era. Isso é uma coisa muito séria pra se pensar, seja quantos anos você tenha.
Ele descobriu que dentro dele tinha um tantão de sonhos, um skate, uma pipa colorida, a praia que ele amava visitar, os amigos da rua...e percebeu que nenhum desenho do mundo daria conta de fazer caber numa folha de papel tudo o que ia dentro de si. Ele então fez um desenho caprichado. Do jeito que ele é do lado de fora. 




Na sala dele todo mundo achou que o desenho ficou ótimo, bem parecido com o que ele era. Mas aquele dia ficou voando pertinho dele. Essa história de pensar em quem era e de ter visto que dentro dele tinha coisas demais pra serem mostradas e divididas.


O Guminha nasceu mesmo foi na cabeça dos autores, que nunca dormem na hora certa e, como nosso personagem, vão ter sempre a idade que os meninos têm. Uma idade sem número e sem tempo pra adicionar aos anos. Veio da vontade de registrar o tempo bom de ser feliz e dançar na chuva se der vontade.
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