quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Guminha e o dia da saudade


Fazia um tempinho que o avô Tonho havia falecido. Mesmo com o tempo passando, a saudade doía de vez em quando no coração do Guminha. Um dia, na casa da vó Linda, ele segredou:
-Vó, sabia que o vô disse pra mim que eu era o melhor amigo dele? Mas é só pra senhora saber, se o Boca sabe ...fica triste.
-Pode deixar meu neto, não conto nada - sorriu a avó, que sabia que o marido devia ter dito o mesmo para o neto mais novo.
-Um dia eu tava muito triste e ele me abraçou bem forte e disse que queria me dar um presente pra me agradar. Olhou bem pra mim e disse "Guminha, te dou meu coração de presente: ele é seu". E ainda depois, segurou meu rosto com as mãos dele e falou com uma lagriminha: "Seus olhos são iguais aos olhos do meu pai".
A avó precisou sair de perto do menino um pouco. Às vezes as histórias que nós vivemos são mais emocionantes que qualquer filme ou novela. 
O Guminha percebeu que a saudade andava pelo coração da avó e decidiu deixá-la quietinha. No caminho de volta para casa, passando pela banca de jornal da pracinha, ele olhou um senhor jogando damas com seu amigo. O senhor não era parecido com o avô, nem de longe lembrava o melhor avô que um menino poderia ter tido, mas algo os uniu. O homem lhe sorriu, como se entendesse e o Guminha sorriu de volta, compreendendo tudo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Guminha e o medo


Abriu a porta do quarto bem devagarinho:
-Mãe, mãe. Posso dormir aqui?
Quem nunca?
A mãe estava cansada demais para qualquer argumentação, deu espaço para o menino que tremia de medo.
-O que foi?
-Eu ouvi um barulho estranho. Acho que tem um monstro em casa.
- E cadê o Boca?
-Tá dormindo. A senhora acha que eu devo voltar e tentar salvá-lo?
A mãe riu. Fez apenas um não com a cabeça. O Boca não estava nem aí para o que estava acontecendo, não seria justo colocá-lo naquela aventura da madrugada. Aventura de terror, né?
- Mãe, você tinha medo?
- Nossa Guminha, eu morria de medo de tempestade. Meu sonho era morar num daqueles lugares assolados pela seca, para não ter que ver pingo de água caindo do céu. E hoje eu adoro, vai vendo. Adoro chuva, saio andando bem devagar, para me molhar bem!!!
- Mãe: chuva é uma coisa, monstro é outra.
-Foi o filme que você ficou vendo, meu filho. Dá um abraço aqui e dorme. Pensa em coisas bonitas.
-Eu não consigo. Você fica de mão dada comigo?
-Fico. Mas você vai ver, um dia você vai rir dessas coisas de monstro.
É, talvez um dia risse. Mas agora era melhor cobrir bem o pé, não deixar nadinha fora da coberta, porque você sabe, os monstros...













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