quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Guminha e a ida ao clube


No dia seguinte, bem cedinho, Guminha acordou o Boca e logo estavam na casa do Eiras para todos juntos irem à piscina. Dos três, só o amigo sabia nadar e ele contava com ele para ajudá-lo a driblar o medo.
-As meninas sabem nadar e eu não...acho que nem vou mais! - disse o Guminha.
-Mas elas não nasceram sabendo - ponderou Eiras, meio que rindo do vacilo do amigo. - Vamos, eu te ajudo!
Era nessas horas que percebiam como eram próximos. O Eiras podia bem aproveitar disso e querer aparecer para as novas amigas, se mostrar melhor, mas ele não era assim. Era amigo, de verdade.
Chegando no clube, o Guminha apresentou o irmão e o amigo para a Cacau e a Fefa e eles puderam confirmar que elas eram muito bacanas mesmo, do jeitinho que o Guminha contou. 
Quando a gente se diverte o tempo ganha qualquer corrida e passa muito rapidão! Naquele dia de Sol, os cinco brincaram de quase todas as brincadeiras possíveis: corriam e davam bombinha para molhar todo mundo, brincavam de plantar bananeira dentro da água, faziam estrela e passavam por baixo das mãos dadas uns dos outros, fizeram castelo no fundo da piscina, eram enfim leves e livres naquela água azul, como o coração da gente tem que ser sempre! 
Foram embora todos juntos, depois de devorar coxinha com refri na lanchonete ao lado da piscina, rindo de seus dedos enrugados e de seus olhos vermelhos de cloro. Naquelas ruas, a amizade ia deixando rastro.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


***se essa rua, se essa rua fosse minha...***


Cacau, Fefa e Guminha, que se tornaram amigos ali, naquela rua da cidade, riram e conversaram um tempo suficiente para saber duas coisas: iam para o mesmo lugar - a biblioteca - e eram sócios do mesmo clube e nunca tinham se encontrado.
-Eu nunca vou...não sei nadar. Nem eu, nem o Boca.
-Mas a gente aprende! Tudo dá pra aprender! - riu para ele a Fefa.
Guminha gostava disso: de gente que não arruma problema, que arruma é solução. Que ri de si, que ri dos outros, que ri de tudo, que ri enfim.
Foram os três, caminhando sob o Sol e achando coisas diferentes e iguais entre si:
-Eu odeio suco de caju. O-D-E-I-O!
-Eu amo chupar o canudinho até o fim do suco e fazer aquele barulhinho que não pode fazer.
-Eu gosto quando eu estou com o pé gelado e daí ponho meia.
-Eu sempre ando desviando dos pedaços brancos da calçada: não quero que suje, gosto de tudo bonitinho.
-Eu nem curto banana.
-Como assim?
-Não gosto, fim.
Há tantas coisas que os unem e os diferenciam que os três foram até a biblioteca, pesquisaram, fizeram barulho e tomaram bronca da bibliotecária sem notar a tarde acabar rapidinho.
O Guminha era moleque solto e não queria que as duas achassem que era paixonite dele, então rodeou, rodeou até perguntar:
-Vamos no clube amanhã?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Guminha, Cacau e Fefa


Sabe quando a gente tem uma música tocando dentro da nossa cabeça horas e horas e sempre o mesmo pedacinho? Pois nesse dia o Guminha estava com a vitrola desse jeito na cabeça e resolveu cantarolar de verdade,para ver se a música tocando do lado de fora ajudava a tocando do lado de dentro sair dali. Era uma música que o seu pai sempre ouvia e hoje ele estava enroscado num pedacinho:
- Amanhã tudo pode acontecer, hoje a nossa vida é pequena...amanhã tudo pode anoitecer...
-Se você vem comigo eu não choro mais.
Era a Cacau. O Guminha nunca tinha visto essa menina na vida e ela chegava assim, terminando o pedaço da música que faltava.
Não teve como não rir e parar para conversarem: a Cacau morava no bairro há pouco tempo e era grudada com a Fefa, que estudava com ela. Ficaram todos amigos logo de cara.
Amizade é como samambaia da estrada, brotando sem a gente perceber de fato. Sem planejar e sem entender direito como começa. Mas a gente sempre sabe quando é para sempre.



***Bateu curiosidade para conhecer a música que o Guminha estava cantando? Tá na mão:
Tem a versão do nosso desenhista, o José, e a original, gravada em 1984 pelo Fagner. Clica nos links e curte aí!  ♫  ♫  ♫ 
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