terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Guminha em: Dividido

Era um dia normal, tranquilo até demais, quando Dona Maria entrou no quarto de Guma com sua típica roupa de ir à escola do menino:
- Filho, a gente vai até seu colégio. Põe tênis e penteia seus cabelos.
A mãe não estava com seu sorriso de Sol, mas também não estava com seu tracinho de seriedade que aprecia no meio da testa toda vez que a situação exigia atenção. O menino obedeceu a mãe e perguntou se o Boca ia também. Não, só iria ele. 
No caminho, não conseguiu descobrir o que estava acontecendo e se sentiu estranho. A mãe era muito falante e estava quietinha, pensando. Nem reparou quando ele pisou no quadrado branco, depois de tantas pedrinhas pretas sequenciadas.
Falaram com a diretora: surgira uma vaga no turno da manhã e ela chamou alguns alunos para questionar quem queria trocar de período. Ponderou que poderia acordar cedo e então aproveitar o dia todinho, que seria bom para ele trocar de ares, viver um pouco longe do irmão...mas lá dentro da cabeça do Guminha, bem lá dentro, por mais que se esforçasse, ele só ouvia uma voz que dizia: "mudar, mudar, mudar...."
Prometeram uma resposta para o dia seguinte. Como Guminha era o mais velho da turma dele, tinha sido chamado primeiro e caso ele não quisesse, passaria a chance de escolha para o segundo mais velho e assim seria até que alguém aceitasse.
Na volta para casa a mãe disse a ele que pensasse com calma. Era um dos pedidos mais difíceis que ela poderia lhe fazer. Chegou em casa e foi para o balanço do quintal, balançar as ideias.
Tomou-lhe o peito uma sensação de responsabilidade, de peso do tempo: decidiria algo muito importante. 
Ficar ou mudar? 
Manter ou mudar?
 A mesma turma ou amigos diferentes? 
Acordar cedo ou ter a tarde livre? 
E o Boca? E a Lili? O Garfo, o Eiras e todos os seus outros amigos? E a professora?
Mesmo diante de tanto amor por todos que cercavam suas tardes de risos e companheirismo, cutucou o coração do menino o gosto pelo que ele não sabia ainda o que é. O não saber tinha gosto de aventura, do novo. E a tarde virou noite no balanço do quintal. As estrelas chegaram e piscaram para o menino. A decisão estava tomada.


E agora??? Para saber, serão sete dias de dúvida! Confira na próxima semana o que disse o coração do menino e descubra o caminho que essa história tomou!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

As aventuras do Guminha na Chapada em : Gratidão

Estavam todos no Super Ted, o carro mais legal de todos! Guminha dormia tranquilo no colo da mãe, encostadinho em José Rei. Estavam voltando para casa depois de tantas aventuras grandiosas... Dona Maria ficou quietinha, sem querer falar nada, sem participar das conversas animadas que faziam a longa viagem parecer tão pequenina. Acarinhou o filho e ficou olhando a paisagem voltar ao verde escuro habitual, devagarzinho...a estrada ganhar curvas e os morros aparecerem para brincarem de esconder a Lua Cheia. 
Nesse momento ali quietinha, seu coração se encheu de gratidão: gratidão, luz e alegria. Os dias anteriores tinham sido incríveis e lá dentro de sua alma ela sabia que esses dias tinham o dom de se eternizarem. Gratidão por poder conhecer uma terra tão preciosa, que tinha na doçura das pessoas uma de suas maiores riquezas. Uma terra tão brilhante, que nem a energia elétrica era necessária e seus caminhos eram iluminados pelo Sol e pela Lua. Uma terra de cachoeiras incríveis, passeios encantadores e noites estreladas. Pegou o seu celular para rever as fotos tiradas naquelas dias e entendeu que nenhuma imagem ou descrição seriam suficientes para dizer o quanto tudo era belo. Uma terra de chão vermelho, fruta no pé e papagaios ao anunciando o dia e a noite. 
Lembrou do dia em que o Guminha andou pela primeira vez. Naquele dia ela não imaginava os grandes passos que seu menino daria. Agora ele escalava montanhas, descia penhascos e saltava grandes alturas, do chão ao ar e do ar ao mergulho nas águas frescas. Agora ele era amigo de José Rei e a amizade dele seria para sempre: um moraria na alma do outro, lembrando que é bom acreditar firmemente que tudo dá certo e que até o sonho mais difícil (porque nenhum sonho é impossível) se torna real. 
Olhou o Padrinho-Coragem e se sentiu grata por um dia ter lhe conhecido e serem tão amigos a ponto de serem compadres, laço eterno. O Padrinho tinha sorriso de luz, barba de noite escura e os olhos de estrelas cadentes. Era um menino grande, muito maior que seu tamanho! Era do tamanho do Por-do-Sol no fim da estrada, do tamanho da alegria das pessoas reunidas em Noite de Ano Novo. E a mãe agradeceu cada passo em que o Padrinho-Coragem deu de mãos dadas com os meninos. 
A Tia Mel viajava sentadinha perto dela: logo a Tia Mel, que registrava as aventuras com uma máquina fotográfica super bacana, fotografaria outros mundos, outros povos, outras alegrias. Dona Maria mais uma vez sentiu seu coração pleno: havia ali um gosto pelo novo, o sabor de tantas terras nos olhos verdes de Tia Mel, a sabedoria milenar de outras culturas que ela tinha orgulho em compartilhar. Uma amiga nova, para um dia de chuva andarem rindo por aí, para saber que há sempre um limite interno a ser superado. As duas sabiam, de um jeito muito delas, que a maior vitória é a vitória sobre si mesma. 
Hebe Maria estava agitada no carro, nem parecia o fim da viagem: queria ver tudo, olhar em todas as direções, partilhar sua visão. Para ela, tudo era gracioso, lindo e tanta beleza precisava ser dita. Tudo era, de fato, uma gracinha. Ela já nem se importava com o fato de ter perdido um par de brincos, um pedaço de sua máquina fotográfica, dois tênis...tinha também perdido o medo de viver de novo, de estar na estrada e deixar as noites coloridas tomarem as noites escuras. Sentia também que seriam amigas para sempre e uma estaria sempre ao lado da outra. 
Tia Raquel dirigia o Super Ted como quem dança uma música suave. Ela era isso: luz e suavidade. Dona Maria também se sentiu grata por ter nela uma nova amiga, com sabor de forró, poesia, flores e encantamento. Uma menina-mulher sábia, doce e cheia de vontade de fazer a diferença na vida das pessoas. Ser em Terra um Presente.
No rodar dos pneus do Super Ted no asfalto outras viagens foram combinadas. Outros sonhos foram sonhados e a Lua, essa danada que a tudo vira, sorria, Cheia no Céu.

***Aqui acaba a séria Guminha na Chapada dos Veadeiros. Essa sequência de histórias foi pensada para que as diferentes visões e sensações ficassem registradinhas e pudéssemos contar para vocês o quanto é BOM viajar!!! Nossa gratidão!***
José
Raquel
Danilo
Mel
Maria Cláudia
verão 2014/2015

Powered By Blogger

Marcadores