Abriu a porta do quarto bem devagarinho:
-Mãe, mãe. Posso dormir aqui?
Quem nunca?
A mãe estava cansada demais para qualquer argumentação, deu espaço para o menino que tremia de medo.
-O que foi?
-Eu ouvi um barulho estranho. Acho que tem um monstro em casa.
- E cadê o Boca?
-Tá dormindo. A senhora acha que eu devo voltar e tentar salvá-lo?
A mãe riu. Fez apenas um não com a cabeça. O Boca não estava nem aí para o que estava acontecendo, não seria justo colocá-lo naquela aventura da madrugada. Aventura de terror, né?
- Mãe, você tinha medo?
- Nossa Guminha, eu morria de medo de tempestade. Meu sonho era morar num daqueles lugares assolados pela seca, para não ter que ver pingo de água caindo do céu. E hoje eu adoro, vai vendo. Adoro chuva, saio andando bem devagar, para me molhar bem!!!
- Mãe: chuva é uma coisa, monstro é outra.
-Foi o filme que você ficou vendo, meu filho. Dá um abraço aqui e dorme. Pensa em coisas bonitas.
-Eu não consigo. Você fica de mão dada comigo?
-Fico. Mas você vai ver, um dia você vai rir dessas coisas de monstro.
É, talvez um dia risse. Mas agora era melhor cobrir bem o pé, não deixar nadinha fora da coberta, porque você sabe, os monstros...





Aiiin, dormir de mão dada com a minha mãe... bons tempos. Um simples toque que passa uma segurança infinita e que nem cabe nas palavras descrever.
ResponderExcluirtipo carinho na alma!!!!
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