Fazia um tempinho que o avô Tonho havia falecido. Mesmo com o tempo passando, a saudade doía de vez em quando no coração do Guminha. Um dia, na casa da vó Linda, ele segredou:
-Vó, sabia que o vô disse pra mim que eu era o melhor amigo dele? Mas é só pra senhora saber, se o Boca sabe ...fica triste.
-Pode deixar meu neto, não conto nada - sorriu a avó, que sabia que o marido devia ter dito o mesmo para o neto mais novo.
-Um dia eu tava muito triste e ele me abraçou bem forte e disse que queria me dar um presente pra me agradar. Olhou bem pra mim e disse "Guminha, te dou meu coração de presente: ele é seu". E ainda depois, segurou meu rosto com as mãos dele e falou com uma lagriminha: "Seus olhos são iguais aos olhos do meu pai".
A avó precisou sair de perto do menino um pouco. Às vezes as histórias que nós vivemos são mais emocionantes que qualquer filme ou novela.
O Guminha percebeu que a saudade andava pelo coração da avó e decidiu deixá-la quietinha. No caminho de volta para casa, passando pela banca de jornal da pracinha, ele olhou um senhor jogando damas com seu amigo. O senhor não era parecido com o avô, nem de longe lembrava o melhor avô que um menino poderia ter tido, mas algo os uniu. O homem lhe sorriu, como se entendesse e o Guminha sorriu de volta, compreendendo tudo.

Lindo......sem duvidas bate uma saudade....
ResponderExcluirQue lindo!!
ResponderExcluirObrigado por comentarem Flávia e Mary! Saudade não tem cura mesmo, mas significa que algo bom foi vivido!
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