quarta-feira, 27 de março de 2013

Guminha e Boca em: "É mais simples quando se é criança"


Dona Maria desligou a panela onde cozinha seu feijãozinho delicioso, tirou o avental e foi até o portão, atender o chamado da Dona Dirce, sua vizinha:
-De novo, Maria, de novo! Olha, você precisa cuidar melhor dos seus filhos, eles são impossíveis!
-Como assim? Do que você tá falando?
-O Guminha e o Boca fizeram guerrinha de lama e meu muro era alvo!
-Ah, mas e seu filho? Seu filho jogou bola por cima do muro e sujou todo meu lençol que eu alvejei com tanto cuidado!
-Seus filhos isso! - disse Dona Dirce.
-Seu filho aquilo! - retrucou Dona Maria.
Eis uma conversa interminável e as então amigas, como duas leoas, defendiam suas crias:feroz e incansavelmente!
Entre uma acusação e outra, escutaram gargalhadas. Olharam as duas, ao mesmo tempo e na mesma direção. Eram os meninos, os filhos de Dona Maria, brincando com o Jucão, filho de Dona Dirce!
Enquanto os adultos brigam, quem é esperto quer mesmo é ver a brincadeira correr solta!

terça-feira, 19 de março de 2013

guminha em: quem não cola não sai da escola?



Guminha tinha uma prova muito difícil naquela manhã. Como sempre ele tinha tentado estudar nos dias anteriores, mas sempre desistia em favor de brincar, jogar, conversar e olhar um risco na parede do quarto: tudo parecia mais interessante que resolver exercícios e escrever sobre o que ele sabia.
Ele acordou bem mais cedo do que de costume.Antes do Sol. Antes da cidade começar a barulhar.
Estudou e estudou, mas o nervoso da proximidade da prova deixava cada palavra e número que lia parecerem impossíveis de serem aprendidos! A matéria ficava mais difícil e não entrava na cabeça dele e o menino começou a sentir medo de se sair muito mal.
Dona Maria, que notou aquela movimentação diferente, chamou o filho:
-Já sei,Guminha! Cola na prova. Vou te ensinar a colar.
Os olhos do menino arregalaram diante da fala da mãe, mas resolveu obedecê-la e fazer como ela mandou, pegando um pedacinho de papel branquinho e lápis.
-Anota neste papel tudo o que você precisa saber.
Rapidinho ele encheu o papelinho com as informações. A mãe olhou, olhou e fez que não com a cabeça:
- Tá muito grande. Copia menor, senão sua professora vai ver.
E o Guminha copiou. E mostrou pra mãe. E mais uma vez a mãe achou que estava muito grande para uma "cola" e fez o menino tornar a copiar. De novo, devo, de novo, de novo, até que o Guminha falou:
-Nem preciso desse papelzinho tonto! Já sei tudo.
A mãe riu, riu bem gostoso uma risada que acordou o Boca!
- Mãe, sua danada! Era tudo um truque seu!
A casa de Guminha era tão bacana que a mãe fazia o filho estudar preparando cola e às vezes as pessoas eram acordadas com risos.


terça-feira, 5 de março de 2013

guminha e boca em: do que é feita a madrugada?


Noite dessas, Dona Maria acordou com aquela vontadona de ir ao banheiro, daquelas que não dá pra negociar esperar o amanhecer. Voltando para seu quarto, ouviu barulho de conversa e risos no quarto dos filhos.
-Não acredito! Assim tarde! Amanhã ninguém vai querer saber de levantar cedo para ir ao colégio! - disse ela, entrando no quarto do Guminha e do Boca.
Nada. Os dois quietinhos, de olhos fechado e respiração serena.
-Quer dizer que vocês perceberam que eu estava vindo e ficaram mudinhos?
A mãe não percebeu nenhuma ação dos meninos. Olhou de pertinho, cutucou e nada!
 Ou eles eram  ótimos fingidores , ou ela tinha ouvido coisas ...
Pensando estar doidinha de cansaço, apagou a luz depois de dar um beijo em cada um e ia saindo do quarto quando:
-Ai Boca, eu falei pra pintar de vermelho.
Ela ia entrar no meio, dar bronca e castigo, mas mal o Guminha terminou de falar, o Boca respondeu, continuando aquele diálogo de risos e palavras, que pareciam sem sentido para a mãe, que assistia a tudo aquilo boquiaberta.
Depois de muito observar e pouco entender, sentiu-se muito feliz e realizada de ver a sintonia e a sicronia dos filhos: mesmo dormindo eram grandes amigos e até em sonho eles combinavam! 
Naquele momento ela pediu que isso perdurasse por toda a sua vida, cobriu os meninos com a mantinha que teimava em escorregar para o chão e foi deitar. 
Era mesmo uma boa noite...
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