Noite dessas, Dona Maria acordou com aquela vontadona de ir ao banheiro, daquelas que não dá pra negociar esperar o amanhecer. Voltando para seu quarto, ouviu barulho de conversa e risos no quarto dos filhos.
-Não acredito! Assim tarde! Amanhã ninguém vai querer saber de levantar cedo para ir ao colégio! - disse ela, entrando no quarto do Guminha e do Boca.
Nada. Os dois quietinhos, de olhos fechado e respiração serena.
-Quer dizer que vocês perceberam que eu estava vindo e ficaram mudinhos?
A mãe não percebeu nenhuma ação dos meninos. Olhou de pertinho, cutucou e nada!
Ou eles eram ótimos fingidores , ou ela tinha ouvido coisas ...
Pensando estar doidinha de cansaço, apagou a luz depois de dar um beijo em cada um e ia saindo do quarto quando:
-Ai Boca, eu falei pra pintar de vermelho.
Ela ia entrar no meio, dar bronca e castigo, mas mal o Guminha terminou de falar, o Boca respondeu, continuando aquele diálogo de risos e palavras, que pareciam sem sentido para a mãe, que assistia a tudo aquilo boquiaberta.
Depois de muito observar e pouco entender, sentiu-se muito feliz e realizada de ver a sintonia e a sicronia dos filhos: mesmo dormindo eram grandes amigos e até em sonho eles combinavam!
Naquele momento ela pediu que isso perdurasse por toda a sua vida, cobriu os meninos com a mantinha que teimava em escorregar para o chão e foi deitar.
Era mesmo uma boa noite...

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