A família de Guminha estava no litoral há alguns dias quando o Eiras juntou-se a eles: pura alegria!
Agora eram Boca, Eiras e Guminha e o pessoal do prédio da praia, uma porção de meninos e meninas de tantos lugares diferentes, com tantas famílias diferentes e um único sorriso no rosto naqueles dias de quase Verão.
Eis que as famílias do Guminha e do Eiras resolveram fazer um típico almoço de Domingo, mesmo estando longe de suas casas: frango, macarrão, farofa e maionese na mesa e o Sol batendo forte além dos muros do condomínio e as famílias sendo exatamente como as famílias, seja do tamanho ou do jeito que for, são. O tio Mariano, irmão do pai do Guminha roncava alto no sofá depois do almoço, a mulherada servindo a sobremesa, papeando entre o lavar e o secar a louça, uma partida de truco rolando aos gritos e gargalhadas, os meninos na maior bagunça, quase derrubando o apartamento, enquanto cutucavam o tio dorminhoco e enchiam seus bolsos de pasta de dentes (já imaginou quando esse tio acordar?).
Depois de tudo arrumado, foram para a praia; lá perceberam que não há idade para ser criança, como quando um homem barbado vira menino ao entrar num fut maneiro e abraça estranhos no momento do gol; quando duas mulheres, por terem biquinis parecidos, conversam por horas, se adoram instantaneamente e juram que serão amigas para sempre. Talvez sejam mesmo, pois só o Mar tem a capacidade de tornar todos iguais diante dele. Somos todos crianças pulando ondas e catando conchinhas, desafiando as ondas no surfe ou fazendo castelos de areia. Era tanta alegria, que se eles esticassem os braços poderiam segurá-la e guardar esse momento para os dias cinzas.
Nem perceberam quando as nuvens cor de chumbo cobriram o Sol. Nem sentiram quando o calor foi substituído por uma brisa geladinha. Só se deram conta quando uma rajada de vento ergueu alto guardas-sóis e cangas coloridas: garoa forte! A praia toda gritou e riu alto diante da confusão de recolher tudo às pressas. Mas, de um jeito mágico, ninguém hesitou em ficar. Ao contrário, corriam de braços abertos, pulavam nas poças, iam até à beira da água para encher baldinhos e fazer guerrinha. Eram todos meninos e meninas diante do Oceano, agora quente pelo beijo da Chuva. Todos juntos, nivelados por um instante tão pleno de felicidade. Não houve foto nenhuma para registrar esse dia tão feliz: ele está guardado num lugar muito mais especial: na memória de cada um.
*** Este post é um presente para um grande menino que nos inspirou a escrever o Eiras e logo estará olhando o mundo através dos olhos de uma criança, já querida e amada! Feliz aniversário, Maircon!***

