terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Guma em: o que rima com praia e chuva?

A família de Guminha estava no litoral há alguns dias quando o Eiras juntou-se a eles: pura alegria!
Agora eram Boca, Eiras e Guminha e o pessoal do prédio da praia, uma porção de meninos e meninas de tantos lugares diferentes, com tantas famílias diferentes e um único sorriso no rosto naqueles dias de quase Verão.
Eis que as famílias do Guminha e do Eiras resolveram fazer um típico almoço de Domingo, mesmo estando longe de suas casas: frango, macarrão, farofa e maionese na mesa e o Sol batendo forte além dos muros do condomínio e as famílias sendo exatamente como as famílias, seja do tamanho ou do jeito que for, são. O tio Mariano, irmão do pai do Guminha roncava alto no sofá depois do almoço, a mulherada servindo a sobremesa, papeando entre o lavar e o secar a louça, uma partida de truco  rolando aos gritos e gargalhadas, os meninos na maior bagunça, quase derrubando o apartamento, enquanto cutucavam o tio dorminhoco e enchiam seus bolsos de pasta de dentes (já imaginou quando esse tio acordar?).
Depois de tudo arrumado, foram para a praia; lá perceberam que não há idade para ser criança, como quando um homem barbado vira menino ao entrar num fut maneiro e abraça estranhos no momento do gol; quando duas mulheres, por terem biquinis parecidos, conversam por horas, se adoram instantaneamente e juram que serão amigas para sempre. Talvez sejam mesmo, pois só o Mar tem a capacidade de tornar todos iguais diante dele. Somos todos crianças pulando ondas e catando conchinhas, desafiando as ondas no surfe ou fazendo castelos de areia.  Era tanta alegria, que se eles esticassem os braços poderiam segurá-la e guardar esse momento para os dias cinzas.
Nem perceberam quando as nuvens cor de chumbo cobriram o Sol. Nem sentiram quando o calor foi substituído por uma brisa geladinha. Só se deram conta quando uma rajada de vento ergueu alto guardas-sóis e cangas coloridas: garoa forte! A praia toda gritou e riu alto diante da confusão de recolher tudo às pressas. Mas, de um jeito mágico, ninguém hesitou em ficar. Ao contrário, corriam de braços abertos, pulavam nas poças, iam até à beira da água para encher baldinhos e fazer guerrinha. Eram todos meninos e meninas diante do Oceano, agora quente pelo beijo da Chuva. Todos juntos, nivelados por um instante tão pleno de felicidade. Não houve foto nenhuma para registrar esse dia tão feliz: ele está guardado num lugar muito mais especial: na memória de cada um.

*** Este post é um presente para um grande menino que nos inspirou a escrever o Eiras e logo estará olhando o mundo através dos olhos de uma criança, já querida e amada! Feliz aniversário, Maircon!***



                                         









terça-feira, 16 de setembro de 2014

Guminha em: "O tamanho do tempo"

Guminha andava nervoso e agitado. Toda aquela semana parecia tão longa e o sábado era como uma miragem no deserto.
Ao redor dele, tudo era agitação: coisas sendo preparadas, convites sendo feitos, detalhes sendo acertados. Ele, menino ainda, pouco podia ajudar. Ficava por ali, sendo criança pelo tempo que a criança mora do lado de fora da gente. E nada do sábado.
Mas mesmo que pareçam demorar, todos os nossos sonhos se realizam, se a gente acredita bem forte. Mesmo que esse sonho pareça tolo para os outros, mesmo que pareça impossível. 
E demorou os seis dias que separam todos os sábados uns dos outros, chegando como era pra chegar: um dia lindo, de céu azul e flores nas árvores. Com cheiro de festa e gosto de aniversário.
Guminha não cabia em si diante da festa tão bonita que se desenhava em sua frente. As pessoas chegando, dizendo palavras bacanas e desejando coisas bonitas. Os amigos o chamando para o futebol maneiro, jogado como se fosse final de campeonato. E aí ele chegou.
Chegou com seu sorriso de sol e a barba escura. Com cara de quem tem criança do lado de dentro para sempre:
- Padrinhoooooooooooooo! Que bom que você veio!!!
Quando estamos com as pessoas que gostamos, o "Parabéns a Você" é mais bonito, o brigadeiro é mais gostoso e a festa acontece dentro do nosso coração.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Guminha em: a chegada de Zeca

Um dia entrou um menino novo na sala do Guminha, o Zeca. 
Logo de cara o Guminha ficou com muita raiva do garoto, uma raiva enorme que fazia até a veia do seu pescoço levantar!
Teve raiva de ele chegar sorridente e fazendo amizade com todo mundo.
Teve raiva da Lili ficar toda derretida por ele.
Teve raiva do monte de elogio que ele ganhou da professora quando foi até e lousa e resolveu um conta que todo mundo achou difícil.
Teve raiva do Eiras e de todos os outros meninos logo o chamarem para o time de futebol.
Teve raiva por ele ser mais alto que todos. E ter a voz mais grossa. E ter um caderno com uma capa mais legal.
Três dias com o Zeca na sala o Guminha arrumou uma encrenca tão grande com ele, marrentinho que era, que esqueceu que era menino e quis brigar feio, feito gente grande: uma briga sem razão e sem chance do outro entender porque estava sendo agredido.
Todo mundo foi parar na diretoria, porque na hora do rolo, toda a turma se envolveu, fosse para separar a briga, fosse para por mais lenha na fogueira. Como o Guminha foi o autor de toda a confusão, teve que passar o resto do dia na coordenação e, após pensar nas suas atitudes, escrever sobre aquilo tudo.
E a raiva virou choro. Choro de vergonha. Choro por ter agido de uma maneira tão desnecessária com o Zeca. E depois o choro virou entendimento: aquilo tudo era admiração disfarçada, porque na verdade o Zeca era um cara muito legal. Muito legal mesmo!



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