Um dia entrou um menino novo na sala do Guminha, o Zeca.
Logo de cara o Guminha ficou com muita raiva do garoto, uma raiva enorme que fazia até a veia do seu pescoço levantar!
Teve raiva de ele chegar sorridente e fazendo amizade com todo mundo.
Teve raiva da Lili ficar toda derretida por ele.
Teve raiva do monte de elogio que ele ganhou da professora quando foi até e lousa e resolveu um conta que todo mundo achou difícil.
Teve raiva do Eiras e de todos os outros meninos logo o chamarem para o time de futebol.
Teve raiva por ele ser mais alto que todos. E ter a voz mais grossa. E ter um caderno com uma capa mais legal.
Três dias com o Zeca na sala o Guminha arrumou uma encrenca tão grande com ele, marrentinho que era, que esqueceu que era menino e quis brigar feio, feito gente grande: uma briga sem razão e sem chance do outro entender porque estava sendo agredido.
Todo mundo foi parar na diretoria, porque na hora do rolo, toda a turma se envolveu, fosse para separar a briga, fosse para por mais lenha na fogueira. Como o Guminha foi o autor de toda a confusão, teve que passar o resto do dia na coordenação e, após pensar nas suas atitudes, escrever sobre aquilo tudo.
E a raiva virou choro. Choro de vergonha. Choro por ter agido de uma maneira tão desnecessária com o Zeca. E depois o choro virou entendimento: aquilo tudo era admiração disfarçada, porque na verdade o Zeca era um cara muito legal. Muito legal mesmo!


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