terça-feira, 4 de setembro de 2012

Guminha, Boca, Dona Maria e a viagem de avião


Da apresentação do Boca eles foram direto para o aeroporto.Os meninos não acreditavam no que viam, estavam pasmos diante das aeronaves na pista, das pessoas indo e vindo, dos pilotos passando apressadamente. 
Se cutucavam, mostravam coisas, mostravam pessoas falando outras línguas, mostravam malas coloridas, mostravam, mostravam, mostravam...era como se eles se sentissem num pedaço imaginado do globo terrestre, uma terra que não era de ninguém e ao mesmo tempo era de todo mundo.
Esqueceram da história de quem se sentaria na janelinha primeiro e por quanto tempo. Esqueceram o medo de voar a primeira vez. Saborearam estar ali. Viram as lojas. Comeram um lanche. Fizeram hora em meio aquele pedaço do mundo que permitia o ir e vir para muitos lugares. E pensaram em ser grande um dia e viajar bastante. E se tocaram que eram pequenos e que viajariam bastante. E se tocaram que o alto-falante chamava o voo deles. Era hora.
Deu um gelão na barriga, mas um gelão bem grande! E se o homem da entrada dissesse que as passagens não valiam? E se eles entrassem no avião e tivessem esquecido a mãe lá fora? Claro que nada disso aconteceu e o gelão foi embora assim que sentaram e afivelaram os cintos. E voltou muito forte quando ouviram o zunido da turbina, acelerando, o avião correndo até começar a subir e a sensação de terem comido borboletas grudar no coração dos meninos.
Depois relaxaram, começaram a rir das nuvens formando um tapete branco, das casinhas pequenininhas lá embaixo. E esqueceram de muitas coisas ruins que mesmo crianças pensam. E viram a mãe sorrindo feliz seu sorriso de Sol.
A viagem foi linda. Linda mesmo. De fazerem muitas coisas juntos. De andarem de bicicleta os três. De jogarem Uno à noite. De irem à praia e depois dar um mergulho bom na piscina. De não fazerem nada. De fazerem tudo. Estavam juntos e isso bastava.


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