quinta-feira, 13 de setembro de 2012

guminha e o dia em que a vida da dona maria mudou


-Mãe, me conta como eu nasci?
Estavam no quintal, dona Maria estendendo as roupas e o Guminha ia entregando os prendedores. Ela parou, olhou bem para o rosto do menino:
-Nasceu lindo!
-Não mãe, a história, como foi...é isso que eu quero saber.
Estava um ventinho bom, as roupas já colocadas para secar roçando a pele do Guminha, aquele geladinho bom e perfumado de amaciante e sabão de roupa. Cheiro de cuidado.
-Vou terminar aqui e te conto.
-Ah mãe, mas vai contar mesmo?
- Vou sim. Pode acreditar.
Era o tipo de pergunta especial, diferente das perguntas cotidianas. 
"Mãe, onde está meu chinelo?"
"Mãe o que vai ter de almoço?"
"Mãe, que horas são no Japão?"
"Mãe, você gosta mais do Boca ou de mim?"
Era para ser respondida devagar, para saborear a resposta.
Dona Maria sentou, pegou um café fresquinho para ela e chamou o Guminha para comer bolo com suco e ouvir a história:
-Tem dia que acorda mais especial que os demais. Nesses dias, meu filho, o Sol brilha mais forte, o vento refresca diferente, a água está mais gostosa. Em dias assim coisas importantes acontecem...
Só de ouvir o comecinho, a boca do Guminha escancarou um sorriso.
Dona Maria continuou:
- Você nasceu num dia assim. Era Sol, era vento, era céu azul, azul, azul, azul. Eu não tive medo, não tive nada ruim. Era só ansiedade e alegria, Queria ver logo seu rostinho, poder te abraçar...A gente foi para o hospital e logo um foi avisando para o outro, parecia uma mágica: todo mundo foi adivinhando que você estava chegando e foi todo mundo indo para o hospital, que logo virou festa.
- Todo mundo?
-É filho, cada pessoa que sabia a notícia ia para lá torcer para dar tudo certo! E a mamãe ganhou tantas flores, bilhetinhos...e foi demorando, demorando pra você nascer...
-Demorou muito?
-Muito, muito não. Mas eu queria assim, uma mágica e plim, você estar no meu colo. Foi a primeira vez que eu fui corajosa de verdade. Não sabia direito o que estava fazendo e mesmo assim tinha toda a certeza que saberia fazer. Descobri que conseguiria encarar o mundo por você, lutar todos os dias para a gente viver bem, feliz. E um chorinho veio cantar no meu ouvido. Era seu. Era você.
-Você gostou?
- Se eu gostei? Foi como se eu pudesse voar, nadar, correr, pular e tomar uma montanha de sorvete tudo ao mesmo tempo. Era seu rostinho que eu tinha sonhado tanto. Era você no meu colo. Era a gente junto.



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