quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Guminha e a festa de fim de ano na escola


-Classe, semana que vem a gente vai fazer uma festa de final de ano da turma. Os meninos trazem doce e as meninas salgado. A diretora vai comprar suco e refrigerante!
Assim que a professora deu o recado, todos deram aquele grito típico que vem depois de um recado feliz em sala de aula:
-EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!
O Guminha gritou junto e se bobear foi um dos que gritou mais alto. Mas assim que sossegou e voltou a fazer a tarefa, sentiu um negócio muito ruim. Uma saudade antecipada de todos ali, juntos.
Olhou para a professora e de repente ela era mais doce e mais bonita que nunca: como seria a professora do próximo ano? O Eiras ali, tão perto, era só dar um sinal e os dois iam juntos apontar o lápis para poder conversar um pouquinho. A Lili, O Tuco, o Garfo...eles sempre faziam trabalhos juntos e estudavam juntos para as provas. A fila deles era mais legal na hora de entrada e a turma deles a mais animada na hora do recreio. Os teatros mais criativos, as coreografias mais inovadoras, as aprontadas mais incríveis. Sempre juntos, sempre unidos. E agora isso, o fim. 
Não saberiam se estudariam juntos de novo, se a nova turma seria como a atual. Se sentariam perto de pessoas bacanas ou encostados em gente que reclama de tudo. Não sabiam nada e só o tempo diria. No ano seguinte o primeiro dia de aula responderia a essas perguntas.
O fim. O fim nem tinha chegado e já se instalava no coração do menino. Estavam ali, rindo de uma piada contada por alguém. Estavam fazendo a mesma tarefa e copiando a mesma rotina da lousa. Na hora de ir embora, fariam fila juntos e todos ganhariam um beijo de professora e um sorriso, seguido de um "até amanhã". Mas para cada amanhã o fim chegaria mais rápido. Queria ficar preso naquele agora.
De repente o Guminha era um velho, preso no corpo de um menino, a contemplar seu passado que era presente. Os olhos lotaram de lágrimas gordas e um nó bem apertado visitou a garganta dele. Contemplou todos como quem contempla uma fotografia e para cada rosto, mil lembranças!
Sentiu um cutucão: bilhete da Lili chegando:
"Guminha: minha mãe é fã de um poeta chamado Vinícius de Moraes e eu copiei isso no meu caderno: "Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações."
Vi sua lágrima gorda se escondendo. Um beijo, Lili"

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Guminha em: que cor o cheiro tem? Qual o gosto da saudade?


Um dia, fora do tempo, o Guminha cresceu. Já homem e de barba no rosto, passou na frente de um clube perto da casa de sua infância. A calçada tinha as mesmas pedrinhas brancas e pretas dispostas formando um desenho antigo. Na portaria, um homem bem velhinho lia o jornal.
-Oi, eu era sócio quando eu era criança. Posso entrar?
- Poder, poder não pode. Mas vai lá. Só não pode demorar.
Era só pra ser uma ida ao mercado do bairro da mãe e de repente, ao passar por ali, foi transportado para um outro mundo, um mundo que sempre existiria no seu coração. E agora estava ali.
Desceu a rampa ao lado do salão social e depois do pedacinho escuro estava na parte das piscinas. O mesmo azul dos azulejos das três piscinas, o trampolim com grades brancas, o parquinho de brinquedos coloridos. O bar ao lado da piscina das crianças, com sua mesa de sinuca e os salgados no forno o jogou com tudo para os dias de Sol, gritaria e infância. Dias em que corria em volta da piscina sem medo de tomar um escorregão e se machucar. Dias em que o rádio do clube tocava as músicas de sucesso e ele queria ser como a moçada que frequentava ali e  combinava sair para dançar nos sábados à noite. Que ele não se importava com buraco de ozônio, queimaduras e envelhecimento da pele: ele chegava quando a piscina abria e só partia quando ela era fechada. E a fome era maior que tudo! Depois do banho, com os olhos vermelhos do contato com o cloro por longos períodos, se juntava com os amigos para inteirarem uma coxinha com refri e um sorvete amigo para a volta para casa. Ia e voltava sozinho, e raramente a mãe aparecia com seu maiô preto. Eram dias de sol, eram dias de alegria e preocupação zero. Não resistiu:
-Moço, uma coxinha e um refri, por favor. E um sorvete, pra volta.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

guminha e os heróis

O Guminha e o Boca estavam brincando no quintal, montando pistas para os carrinhos deles. Concentrados naquela tarefa, conversavam enquanto mais uma curva perigosa era construída ou uma reta poderosa se formava:
- Boca...se eu fosse um super herói, que super herói eu seria?
-A Mulher Maravilha! Hahahahahaha - zombou o irmão.
-Não Boca, fala de verdade...
-Ah Guma! Nunca pensei.
-Então me ajuda a pensar.
E pensaram muito. Um a um falaram dos heróis dos quadrinhos que conheciam e das identidades secretas. De Batman e sua superação pessoal e da luta contra o mal em Gotham City; de Superman e sua namorada Louis Lane, do Homem de Pedra, dos Incríveis...
- Queria era ter o Anel do Lanterna Verde!
-Não, pensa você com os poderes do Aquaman?
- E tipo Super Mario?
-Mas o ele nem é herói.
-Claro que é, ele vai salvar a Princesa!
- Eu gosto do Hulk, acho você parecido com ele. Quando fica bravo, vira outra pessoa!
Na verdade nenhum super heróis se encaixava totalmente na descrição do Guminha. Ele até ficou chateado e quis mudar de assunto, enfileirando os carro para começar a corrida, já que a pista tinha ficado pronta, mas o Boca o interrompeu:
- Guminha, você é meu herói. De verdade. Sem capa, sem uniforme especial, sem identidade secreta. Você está comigo quando eu rio e quando eu choro. Você me dá a mão quando eu tenho medo. Você cuida de mim quando a mamãe pede. Me ajuda a fazer aquele dever bem difícil e até pinta meu desenho quando eu estou com preguiça. Eu adoro quando a gente conversa antes de dormir e quando a gente brinca e parece que vai parar em outro mundo. Quando você me defende e até quando você me dá uma bronca, que eu sei que é para eu me tornar um menino mais legal. Não tem no mundo um super herói com poderes melhores que o seu. Para ser herói não precisa estar no gibi: basta ser como você é.
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