Um dia, fora do tempo, o Guminha cresceu. Já homem e de barba no rosto, passou na frente de um clube perto da casa de sua infância. A calçada tinha as mesmas pedrinhas brancas e pretas dispostas formando um desenho antigo. Na portaria, um homem bem velhinho lia o jornal.
-Oi, eu era sócio quando eu era criança. Posso entrar?
- Poder, poder não pode. Mas vai lá. Só não pode demorar.
Era só pra ser uma ida ao mercado do bairro da mãe e de repente, ao passar por ali, foi transportado para um outro mundo, um mundo que sempre existiria no seu coração. E agora estava ali.
Desceu a rampa ao lado do salão social e depois do pedacinho escuro estava na parte das piscinas. O mesmo azul dos azulejos das três piscinas, o trampolim com grades brancas, o parquinho de brinquedos coloridos. O bar ao lado da piscina das crianças, com sua mesa de sinuca e os salgados no forno o jogou com tudo para os dias de Sol, gritaria e infância. Dias em que corria em volta da piscina sem medo de tomar um escorregão e se machucar. Dias em que o rádio do clube tocava as músicas de sucesso e ele queria ser como a moçada que frequentava ali e  combinava sair para dançar nos sábados à noite. Que ele não se importava com buraco de ozônio, queimaduras e envelhecimento da pele: ele chegava quando a piscina abria e só partia quando ela era fechada. E a fome era maior que tudo! Depois do banho, com os olhos vermelhos do contato com o cloro por longos períodos, se juntava com os amigos para inteirarem uma coxinha com refri e um sorvete amigo para a volta para casa. Ia e voltava sozinho, e raramente a mãe aparecia com seu maiô preto. Eram dias de sol, eram dias de alegria e preocupação zero. Não resistiu:
-Moço, uma coxinha e um refri, por favor. E um sorvete, pra volta.