-Classe, semana que vem a gente vai fazer uma festa de final de ano da turma. Os meninos trazem doce e as meninas salgado. A diretora vai comprar suco e refrigerante!
Assim que a professora deu o recado, todos deram aquele grito típico que vem depois de um recado feliz em sala de aula:
-EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!
O Guminha gritou junto e se bobear foi um dos que gritou mais alto. Mas assim que sossegou e voltou a fazer a tarefa, sentiu um negócio muito ruim. Uma saudade antecipada de todos ali, juntos.
Olhou para a professora e de repente ela era mais doce e mais bonita que nunca: como seria a professora do próximo ano? O Eiras ali, tão perto, era só dar um sinal e os dois iam juntos apontar o lápis para poder conversar um pouquinho. A Lili, O Tuco, o Garfo...eles sempre faziam trabalhos juntos e estudavam juntos para as provas. A fila deles era mais legal na hora de entrada e a turma deles a mais animada na hora do recreio. Os teatros mais criativos, as coreografias mais inovadoras, as aprontadas mais incríveis. Sempre juntos, sempre unidos. E agora isso, o fim.
Não saberiam se estudariam juntos de novo, se a nova turma seria como a atual. Se sentariam perto de pessoas bacanas ou encostados em gente que reclama de tudo. Não sabiam nada e só o tempo diria. No ano seguinte o primeiro dia de aula responderia a essas perguntas.
O fim. O fim nem tinha chegado e já se instalava no coração do menino. Estavam ali, rindo de uma piada contada por alguém. Estavam fazendo a mesma tarefa e copiando a mesma rotina da lousa. Na hora de ir embora, fariam fila juntos e todos ganhariam um beijo de professora e um sorriso, seguido de um "até amanhã". Mas para cada amanhã o fim chegaria mais rápido. Queria ficar preso naquele agora.
De repente o Guminha era um velho, preso no corpo de um menino, a contemplar seu passado que era presente. Os olhos lotaram de lágrimas gordas e um nó bem apertado visitou a garganta dele. Contemplou todos como quem contempla uma fotografia e para cada rosto, mil lembranças!
Sentiu um cutucão: bilhete da Lili chegando:
"Guminha: minha mãe é fã de um poeta chamado Vinícius de Moraes e eu copiei isso no meu caderno: "Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações."
Vi sua lágrima gorda se escondendo. Um beijo, Lili"

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