terça-feira, 30 de abril de 2013

Guminha em: a adaptação

-Mãe, cadê a vó?
-Saiu meu filho.
- De novo?
Era a quinta vez que Guminha perguntava da Dona Linda. A avó havia recebido um convite para trabalhar numa Feira de Malhas e tinha que tricotar várias blusas até o final de semana seguinte, para assim poder expor e vender. Desde esse convite estava atarefada entre comprar linhas, agulhas e tricotar, tricotar, tricotar...não dava tempo de assistirem TV juntos, nem de disputarem uma partida de damas ou mesmo jogar conversa fora. A avó tão ocupada era uma novidade na vida do menino e ele se sentia só.
-Mãe, eu quero a vó de volta - disse o Guminha, pedindo um abraço.
Dona Maria sabia muito bem como era essa sensação: tinha se sentido assim quando os filhos tinham ido para a escola, deixando as tardes vazias na casa sempre barulhenta e cheia de alegria.
-Filho, você vai ter que se adaptar a isso. Faz bem para a sua avó. Ela não é só nossa, minha mãe e sua avó: ela também tem a vida dela. Tem amigas, tem coisas para fazer e agora arrumou esse trabalho.
-Como eu vou fazer, mãe?
-Vai curtir o máximo que puder quando ela estiver perto. E eu tenho certeza que ela estará perto, sempre sempre sempre que puder.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Guminha em: e o resultado da prova?


Era uma tarde depois da aula. Almoçaram juntos o Sertão, o Eiras e o Guminha, todos na casa da Lili, que era bem próxima do colégio onde estudavam. Comeram macarrão com molho e carne moída até sujar a camiseta do uniforme! Tinham tido uma prova bem difícil e todos se questionavam se tinham ido bem ou mal, quais questões tinham acertado e os erros que poderiam ter cometido. Nem aquele macarrão delicioso foi capaz de tirar da cabeça dele o teste na escola.

 Depois da sobremesa, o Guminha foi com a Lili para casa dele, pois ela queria um gibi emprestado. No caminho, iam distraídos, pensando que as mães se chateariam com os resultados da prova e como seria a recuperação. Tanto pensaram  que não ouviram o primeiro piado diferente. Nem o segundo, vindo de outro pássaro. Um terceiro pássaro se juntou aos dois primeiros e logo era uma cantoria impossível de ser notada. Lili logo percebeu e, sem conseguir dizer ao amigo o que acontecia, admirou-se daquela orquestra de passarinhos tão diferentes entre si e unidos na mesma melodia!
- Guma! Escuta isso!!!
Nesse momento Guminha deixou de lado provas e recuperações e passou a observar o que a amiga lhe mostrava tão feliz. Nunca tinham presenciado algo tão grandioso e bonito assim. Nunca!
Ficaram ali, parados, só olhando: nenhuma palavra seria capaz de externar o que viam e sentiam diante daquilo. Entenderam que a vida era mágica e que nenhum problema, real ou imaginado, poderia roubar a atenção deles e fazer com que deixassem de observar os presentes que a vida nos traz todos os dias.



Esse desenho mais que especial foi feito pela Lili. Ela voltou da casa do Guminha e correu registrar o momento que tinha vivido com o amigo. No dia seguinte, bem cedo, entregou pra ele.

terça-feira, 16 de abril de 2013

guminha em trabalho em grupo


Era dia de fazer trabalho em grupo, de juntar todo mundo em casa e produzir cartazes sobre o Dia Nacional do Livro. O Eiras e a Lili vieram juntos, o Garfo chegou mastigando e a Fefa e Cacau (que nem eram da escola dos meninos) apareceram também, para ajudarem, atrapalharem e brincarem todos juntos depois, como acontece sempre que pessoas bacanas se encontram. O Boca apesar de ser de outra turma, ajudaria também.
Todos juntos começaram a definir as tarefas, o que cada um deveria fazer para o trabalho ficar digno de orgulho de todos eles. Ao Guminha coube fazer a margem.
-Não dá, eu erro.
-Como assim, erra? - questionou a Lili.
-Erro, faço torto, borro, quando estou quase terminando uma batida na mesa e eu perco tudo. Não quero, vou fazer outra coisa.
-Vai nada Guminha, vai tentar fazer dar certo. - disse Lili bem firme, já colocando um lápis grafite na mão esquerda do amigo. - Faz com lápis antes, bem fraquinho. Se der errado, você tem a chance de consertar.
- Eu nunca consigo. Eu nunca consegui.
- Pretérito, passado, já foi Guma. Agora é presente e agora você consegue.
Lili foi tão determinada nas suas palavras que o menino nada podia fazer senão acatar o que ela disse.
Só quem errou muita margem de cartaz sabe qual era o sentimento do Guminha. E só quem ouviu de outra pessoa um "você pode" na hora certa conseguiu dizer pra si mesmo "vou conseguir".


Dia 18 de abril é dia Nacional do Livro. A turma do Guminha fará doação de livros de uma maneira muito bacana e você pode participar também: escolha um livro bem legal, em bom estado e nele escreva uma dedicatória, explicando que o livro é um presente para um desconhecido. Então deixe seu livro por aí: no ponto de ônibus que você costuma usar, na estação de trem da sua faculdade, na mesa do restaurante onde você almoça correndo entre um período e outro. Leitura alimenta a alma! 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Guminha em: qual o lado certo?


-Ih professora, o Guminha é ao contrário! Nem sabe cortar uma folha na linha!
Todo mundo riu do menino, que em pé procurava a direção para conseguir cortar. A tesoura dançava em sua mão, desajeitada. No lado de dentro do garoto, aquela dor doída. Ele pensava que o chato do Marco estava certo: ele era todo ao contrário mesmo.
Já tinha sido difícil abrir a porta ao contrário, ajudar a mãe a abrir a lata de ervilha ao contrário, e agora ele pensava no violão que ele tinha ganho de Jorge encostadinho em um canto, porque ele não se entendia com as notas escritas nas cifras e o braço invertido do instrumento. Nem o mouse, sempre do lado direito do computador ajudava. E quando crescesse, como faria com o câmbio do carro?
Todos esse pensamentos correram pela cabeça do Guminha tão rápido que ele nem tinha se sentado de volta (sim, para recortar ele ficava em pé, era mania mesmo) quando a professora interveio:
- Não tem graça nenhuma Marco. Nem vocês que riram. O Guminha pode ter algumas dificuldades para recortar porque ele é canhoto.
Canhoto. Nunca ninguém tinha o chamado dessa forma. A mãe achava tão natural o menino ser virado para o lado esquerdo que nunca havia pensado em explicar a ele o que era.
- Canhotos - continuou a professora - são pessoas que usam o lado esquerdo na maioria de suas atividades porque o lado direito do cérebro comanda seus movimentos. É uma característica genética, como ser negro ou branco, ter olhos azuis ou cor de mel. Só que a maioria das pessoas é destra, ou seja, usa o lado direito para fazer as coisas, portanto o mundo dos canhotos fica todo ao contrário.
Diante daquela explicação tão bacana o Guminha se achou muito importante e ficou até orgulhoso!
No intervalo, chamou o Marco para jogarem ping-pong.A escola parou para assistir a partida: o Guminha arrasou no jogo, vencendo de uma forma incrível! Cada saque, cada ponto surpreendiam o adversário por virem do lado que ele não esperava e eram comemorados por gritos entusiasmados de todo mundo, impressionados com o "canhotinho de ouro". Ser "ao contrário" tinha muitas vantagens também!!!
E o Guminha,que achava uma besteira entrar com o pé direito nos lugares pois tinha sorte mesmo quando entrava com o pé esquerdo, sentiu sua orelha esquerda queimar:
-Sinal que estão falando BEM de mim, porque esquerdo é o lado do coração!


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