terça-feira, 30 de abril de 2013

Guminha em: a adaptação

-Mãe, cadê a vó?
-Saiu meu filho.
- De novo?
Era a quinta vez que Guminha perguntava da Dona Linda. A avó havia recebido um convite para trabalhar numa Feira de Malhas e tinha que tricotar várias blusas até o final de semana seguinte, para assim poder expor e vender. Desde esse convite estava atarefada entre comprar linhas, agulhas e tricotar, tricotar, tricotar...não dava tempo de assistirem TV juntos, nem de disputarem uma partida de damas ou mesmo jogar conversa fora. A avó tão ocupada era uma novidade na vida do menino e ele se sentia só.
-Mãe, eu quero a vó de volta - disse o Guminha, pedindo um abraço.
Dona Maria sabia muito bem como era essa sensação: tinha se sentido assim quando os filhos tinham ido para a escola, deixando as tardes vazias na casa sempre barulhenta e cheia de alegria.
-Filho, você vai ter que se adaptar a isso. Faz bem para a sua avó. Ela não é só nossa, minha mãe e sua avó: ela também tem a vida dela. Tem amigas, tem coisas para fazer e agora arrumou esse trabalho.
-Como eu vou fazer, mãe?
-Vai curtir o máximo que puder quando ela estiver perto. E eu tenho certeza que ela estará perto, sempre sempre sempre que puder.

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