quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Guminha em: Caminhos

  - Oi garotinha, eu sou a Clara. Estou perdida, você pode me ajudar?
  - Oi Clara. Eu sou a Sophia. Se eu puder, sim. O que foi?
  - Me perdi na trilha. Não sei para onde devo ir.
  - Me conta o que aconteceu...
 E Clara contou para a garotinh tudo o que havia acontecido. E a menina ouviu tudo sem a interromper.  
   - Eu estava n Cachoeira do Segredo com o Guminha, o Eiras, o José Rei e a Hebe Maria. Mas eu não quis mergulhar, só fiquei ali....conversando, vendo tudo. Era tudo bonito demais, mas eu comecei a ficar com frio e como eu não ia mergulhar, decidi voltar sozinha primeiro e esperar os outros. 
  - E por que você não entrou?  
  - Porque eu achei que sentiria muito frio.
  - Mas seus amigos entraram....
  -Sim. um monte. Nadaram até a queda d'água que era enorme e tudo. Mas eu não quis.
  -Que pena, Clara. talvez ter sentido um pouco de frio valesse muito à pena. Você sabe que talvez demore até voltar nessa cachoeira. Ou que talvez nunca volte. 
  - Você tem razão. Enfim, vim caminhando e comecei a reparar nas pedras, nos bichos, no Sol passando pelas folhas das árvores e num poço maravilhoso. Acho que foi aí quee u me distraí...eu parei para apreciar o que era belo e esqueci de seguir pelo caminho conhecido.
  - Então, Clara, você não está perdida. Você só não sabe onde está. Você se encantou e seu coração te trouxe por um novo caminho. Se você tivesse mergulhado na cachoeira, teria conhecido com o corpo e com a alma o que somente seus olhos conheceram. Se tivesse vindo caminhando focada na trilha correta, não teria visto as coisas belas que você viu. Se não achasse que estava perdida, não pararia para conversar comigo. Você perdeu o controle e quando a gente perde o controle pode ficar muito triste e desesperada ou pode se entregar ao novo. Eu vou com você e juntas acharemos o caminho.
 Clara era doce, esperta, mas estava atônita e encantada diante das palavras de Sophia. Como uma menina tão pequena poderia saber tantas coisas?
Seguiram juntas e continuaram a conversar. Parecia que eram amigas desde quando o Sol e a Lua podiam estar juntos no caos. Contaram segredos, riram de coisas bobas e dentro do coração de Clara o medo deu lugar a um sentimento novo, de descobrimento. Sentia mais vontade de se jogar nas coisas, de mergulhar e não mais estar no raso. Queria o frio e o calor. Queria o doce e o azedo. Era isso: queria de tudo um muito. Queria a razão e a emoção. Olhar o mundo
com postura crítica, mas a mente aberta. Viver num mundo sem muros. Pertencer a cada lugar que fosse e ser pertencida por ele também. Sabia que seria amiga de Sophia para sempre, mesmo que dividissem para sempre somente aquele fim de tarde como lembrança. 
Quando reencontraram o caminho que Clara precisava seguir, se despediram. Se abraçaram muito forte, como as pessoas especiais umas para as outras o fazem. Sophia deu um presente para Clara:
 -Tudo isso começou porque você sentiu frio, então quero que fique com essa echarpe que está na minha mochila. Leve com você e quero que se lembre de mim. Podemos trocar cartas e postais e até fazermos uma festa no jardim! Quero conhecer seus amigos também! 
Aquela tarde de desencontro havia se tornado grandiosa. E quando algo se torna grandioso, fica muito difícil guardar para si. Clara contou tudo para os amigos quando se reencontraram. Era a mesma, mas tinha mudado. Clara agora era maior. Como um sorriso que não cabe no rosto. Grande como o caminho que todos, cada um a seu passo, caminhariam.

***A história de hoje é dedicada a pequena-grande Sophia. Que ela veja o belo e compreenda a grandeza das coisas. Que tenha seu mundo, seu mundo de Sophia, e que esse mundo seja pleno de sabedoria, paz, amor e muitos sorrisos. E que ela também colecione histórias para contar***

terça-feira, 28 de julho de 2015

Guminha volta à Chapada dos Veadeiros

Quando a gente viaja, troca a roupa da alma. Mesmo que tenhamos percorrido a mesma estrada, ela é sempre nova. A paisagem pode ser a mesma, mas nosso olhar sobre as coisas pode ter mudado.
Nas férias de julho o Guminha voltou para a chapada dos Veadeiros: Clara, Hebe Maria, José Rei, Eiras e ele. Viram o Sol se pôr na estrada e a Lua iluminar a jornada. Dormiram no caminho e deu até pra fazer festa do pijama. E mal fecharam os olhos, já era um novo dia e a a vontade de chegar era grande demais. E chegar foi um presente. Deixar de lado o cotidiano, desacelerar o coração das coisas que passam pela cabeça da mais nova das crianças. Conviver com estranhos que se tornaram amigos. Aquele tipo de amigo que se faz em viagem e mora num lugar especial na mente de quem viajou.
Lembraram histórias e escreveram outras. Novas cores no horizonte. Estrelas cadentes permitindo novos pedidos. O agradecimento na alma de cada um. Colecionaram histórias e até brigaram, como todos os amigos fazem. E depois fizeram as pazes sem nada precisar ser dito, porque é assim que funciona com as pessoas que são destinadas a viverem juntas um caminhar.
Houve Sol. As mais belas cachoeiras. A música cantada junta no carro. A tapioca de todo dia, as trilhas que machucam os pés e curam a alma. Rios de águas cristalinas, desenhos em nuvens, céu azul. Forró pra dançar, muitos sorrisos... E de vez em quando um arrepio bem forte, não de frio. Arrepio de agradecimento, de sentir a presença de todas as coisas boas que podemos viver. E nunca podemos deixar de acreditar que é possível vivê-las. Entregar, confiar agradecer. E se lançar no novo, se desafiar. Mergulhar na água gelada porque sabe-se que será incrível. Saltar do monte mais alto, caminhar pelos montes mais íngremes. Ter coragem de viver. De viver de verdade. De abrir as janelas da alma e enxergar o lá fora de cada um. Rir dos tombos, tirar muitas fotos para registrar o que a mente brincar de esquecer. Eternizar instantes e querer viver outros tantos. Achar que o tempo é pouco para tantas coisas bacanas. E sentir saudade antes mesmo de ir embora. Como se aquilo tudo já fizesse parte de cada um. Cada ruazinha, cada pedra no caminho, cada folha caída das árvores.
Nenhum dos cinco conversou sobre nada disso. Mas como se tudo tivesse sido dito, porque existe algo chamado sintonia. A sintonia que coloca as pessoas juntas quando precisam passar um tempo juntas.  Sintonia que te faz pensar muito parecido com o outro, ou muito, muito diferente e mesmo assim entender e saber respeitar. Enquanto couberem estrelas no céu o Guminha e seus amigos lembrarão de detalhes felizes que os uniram por aqueles dias, que sempre serão poucos, porque sempre existe a vontade de ficar mais. De voltar mais um vez. De desbravar outras estradas e lugares. De fazer do Inverno um Verão. Não importa quantos anos você tenha. Somos sempre meninos brincando: de pés no chão, joelhos ralados e cabeça nas nuvens.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Guminha em: A vida tem trilha sonora!

O quarto da bagunça da casa do Guminha sempre escondeu tesouros incríveis! A própria mãe, dona Maria, se entusiasmava ao reencontrar coisinhas que havia guardado e não se recordava mais. Dia desses o Guminha encontrou um coisa que nunca havia visto ou ouvido falar na vida: um objeto preto, com um fone de ouvido bem grande, com botões grandes e barulhentos. Analisou o objeto com incerteza e curiosidade: não havia nenhuma tela e nenhum indício de ser touch screen. O nome ali gravado nada lhe dizia: WALKMAN. De tanto fuçar aqui e ali, ele destravou uma alavanca e abriu o tal walkman. Lá dentro havia um retângulo acrílico transparente, com uma fita dentro, numa cor entre o preto e o marrom.
Achou melhor tentar fechar novamente, se estava guardada a mãe devia valorizar aquilo. Na procura de algum botão para travar tudo, do nada um estranho barulho começou assim que um dos botões foi acionado. Vestiu o fone e percebeu que o tal barulho era música!
Feliz com a descoberta, embora não conhecesse a música que ali tocava, saiu pela rua, feliz com seu "novo" brinquedo. Enquanto ele caminhava, sem notar, começou a gingar ao invés de caminhar. A vida era um palco e tinha trilha sonora! A impressão que o menino tinha era de que todas as pessoas dançavam também, como num grande videoclipe sem ensaios. De vez em quando a música parava, vozes de locutores de rádios que nem mais existiam berravam alegremente atrações e algumas músicas estavam misturadas, gravadas uma por cima das outras. A cada pedacinho de fita que rolava, novas emoções e descobertas. Que mágica é essa?
Magia! Só podia ser essa a palavra para descrever tantas sensações bacanas: cores e sons misturados, um monte de memórias da mãe ali gravadas. Agora tinha lembrado o nome do retângulo que ia dentro do walkman, era fita cassete!
Lembrou da mãe contando que ligavam na rádio e pediam músicas e o locutor era bonzinho e não falava no começo da música para não estragar tudo, das fitas gravadas com as amigas e das feitas com carinho para o então namorado, o pai do Guminha. E de tantas histórias e pedaços de música que ele reconhecia de ouvir a mãe cantarolar ou de ouvirem em viagens de carro. Ouviu os dois lados da fita. E então ouviu novamente. Era um mundo novo e ao mesmo tempo uma viagem no passado. Com os sons da história da mãe e do pai, histórias de risos compartilhados...
Sua história contada em música.

O desenho super especial que ilustra a história de hoje foi produzido pela Ana Beatriz!
Valeu, Ana!!!


terça-feira, 14 de abril de 2015

Guminha e o experimento

Ainda não  tinha passado a primeira semana e aula com a nova turma e Guminha se perguntava se tinha feito a escolha certa. Era uma dúvida que às vezes fazia a barriguinha do menino sentir um frio diferente...
 Não que a turma não fosse legal e que os novos amiguinhos não o divertissem  e estivessem sempre prontos a ajudar. Era tudo diferente do que ele tinha vivido até então e acostumar-se com o novo leva um tempo. Na verdade o Guminha sentia um Buraquinho que ele logo achou q era fome. Decidiu então comer naquele momento mesmo, entre uma multiplicação e outra... pegou escondido um pedaço do seu bolo na lancheira e se deliciou com aquele maravilhoso pedaço  que sua mãe  havia feito, cortado e embrulhado em papel alumínio... não é que o Buraquinho sumiu?
Voltou a prestar atenção na aula e já era a aula de ciências:  notou que o professor estava falando sobre como plantar feijões em um algodão .  Guminha achou aquilo impressionante e começou  prestar total atenção no que ele dizia , foi quando o professor disse que eles iam fazer esse experimento e pediu pra os alunos irem calmamente ate a mesa dele pegar o material ...Guminha deu um salto e logo foi o primeiro a chegar a mesa do professor..pegou o material necessário e começou a atividade..no fim da aula o professor disse que os alunos poderiam levar o trabalho pra casa, desde que se comprometessem em cuidar do pé de feijão . 
- O que eu preciso fazer, Professor?!
O professor passou as instruções 
Chegando em casa, Guminha  começou a procurar um lugar arejado como o professor havia dito e  pediu ajuda de Dona Maria e do Boca,  queria saber deles qual era o melhor lugar da casa para deixar o seu experimento. 
Encontrou um lugar bacana, ao lado do pote de água na pia. Todo dia  o Guminha ia ver como estava o seu algodão com um feijão dentro..e antes de dormir ia até a cozinha para dar boa noite..e por alguns dias assim ele fez. Regava com pouca água, conversava com seu futuro feijão, mas já estava ansioso. Nada ainda!!!
Queria entender por que ele estava demorando tanto para brotar e por um momento achou que estava maluquinho falando com algodão com feijão! 
No dia seguinte o menino brincou pra valer e na hora de dormir deu boa noite pra o algodão que insistia em não brotar, muito embora estivesse fazendo tudo certinho...já havia questionado o professor e ele mesmo confirmou que já era tempo do feijãozinho começar a aparecer!
Pensou em desistir , mas insistiu: mudou o experimento de lugar e, como era fim de semana ,foi almoçar na casa da vó..chegando lá a Dona Linda tinha feito FEIJOADA! O Guminha devorou três pratadas num piscar de olhos!
Depois, enquanto ajudava a avó a organizar a cozinha, contou a ela sobre o experimento na aula de ciências ...ai vó, na sabedoria de sempre, com duas palavras encheu Guminha de esperança: VAI BROTAR.
Na hora de ir embora a vó deu uma vaso de presente pro Guma... 
- Pra quando nascer !! Me chama, que vou te ajudar a passar pro vaso....
Chegando em casa, naquela noite, Guminha foi mostrar a futura casa pro futuro pé de feijão, que insistia em não dar as caras.
Dormiu. ..Sonhou com o pé de feijão gigante e correu pra ver..Se encheu de felicidade ao ver que enfim havia BROTADO...acordou a casa toda, todo mundo empolgado com a felicidade de Guminha não ligou por acordar no meio da noite!!!
Acordou no domingo e correu pra ver o pé..ligou pra vó que chegou em 15 minutos para ajudar o neto: passaram pra o vaso, o pé de feijão teria espaço para crescer!!!
E era tanto amor envolvido que foi necessário trocarem de vaso, cada vez por um maior, algumas vezes, até que a família toda percebeu que qualquer vaso seria muito pequeno pro tanto de amor que brotava junto daquele pé de feijão!
-Achei um lugar para você plantar o seu pé de feijão!
-Onde vó? - questionou o Boca, também animado com aquela planta tão legal.
-No Parque das Árvores! - respondeu a avó.
-Que lugar legal para o meu Pé de feijão..mas não vou ver ele mais todo dia... - entristeceu-se o Guminha.
-Ah verdade, meu neto mas agora ele vai deixar o parque mais bonito. E sempre que der você vai poder vê-lo.
Decisão tomada, o agora Pezão de Feijão alegrava o Parque. Era grande demais para morar na casa do Guminha porque tinha sido regado com muito amor. E o amor, como se sabe, não cabe em si.


domingo, 1 de março de 2015

Decisão

Guminha chamou a mãe. Chamou com um jeito e uma voz que a mãe conhecia bem: uma voz de "quero colo" misturada com "já cresci e aguento o tranco". A mãe secou as mãos no guardanapo de cozinha, deixou a louça esperando e foi ouvir seu filho mais velho.
-Fale, meu filho.
-Mãe, decidi. Tô aqui com um nó na garganta, quase chorando, então vou falar de uma vez.
Suspirou fundo, abraçou a mãe e então disse:
- Vou mudar.
E saiu para o quintal.
Foi chorar onde ninguém via, sentindo o peso e a leveza de qualquer grande decisão tomada.
Chorou a saudade antecipada do jeito da professora dar aula. 
Chorou a falta que sentiria dos amigos da sala de aula. Da saudade de poder dar uma olhadinha pra Lilil. De ir com o irmão para a escola, rindo e brincando pelo caminho...de ver o raio de Sol que ia chegando pertinho do pé dele quando ia chegando a hora do recreio...até que a mãe foi sentar com ele. 
Ficaram os dois ali, no quentinho da tarde, cúmplices de uma nova direção da vida do menino. Certamente o Boca sentiria falta de ter o irmão por perto e precisariam conversar com ele. 
-Filho, amanhã cedo vou até a escola e vejo toda a papelada da mudança. Você ainda vai poder ir alguns dias para se despedir da turma. Você foi muito corajoso.
- Isso é ter coragem, mãe?
- Também. Coragem é muita coisa e uma delas é se lançar num futuro desconhecido. É deixar o que sabemos como é de lado para aprendermos a ver a vida de um outro jeito. 
-Vou ter saudade dos meus amigos, mãe...
- Amigos são amigos para sempre, quando são de verdade. E, pensa bem: você vai ganhar 29 novos amigos. 29 é muita gente!!!
-É mãe! E tem a professora!
-Isso, são 30 amigos então!
E assim animado com o novo, seguiram conversando até a Lua dar psiu para eles. Entraram abraçados e então se deram conta que a mudança de turma aconteceria um dia depois do aniversário do Guminha.
- Vou comemorar com a minha turma de agora e depois, de presente, vou ganhar outra turma.
-Sim, filho. Uma etapa que se conclui, um monte de possibilidades. Coragem, meu filho, coragem.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Guminha em: Dividido

Era um dia normal, tranquilo até demais, quando Dona Maria entrou no quarto de Guma com sua típica roupa de ir à escola do menino:
- Filho, a gente vai até seu colégio. Põe tênis e penteia seus cabelos.
A mãe não estava com seu sorriso de Sol, mas também não estava com seu tracinho de seriedade que aprecia no meio da testa toda vez que a situação exigia atenção. O menino obedeceu a mãe e perguntou se o Boca ia também. Não, só iria ele. 
No caminho, não conseguiu descobrir o que estava acontecendo e se sentiu estranho. A mãe era muito falante e estava quietinha, pensando. Nem reparou quando ele pisou no quadrado branco, depois de tantas pedrinhas pretas sequenciadas.
Falaram com a diretora: surgira uma vaga no turno da manhã e ela chamou alguns alunos para questionar quem queria trocar de período. Ponderou que poderia acordar cedo e então aproveitar o dia todinho, que seria bom para ele trocar de ares, viver um pouco longe do irmão...mas lá dentro da cabeça do Guminha, bem lá dentro, por mais que se esforçasse, ele só ouvia uma voz que dizia: "mudar, mudar, mudar...."
Prometeram uma resposta para o dia seguinte. Como Guminha era o mais velho da turma dele, tinha sido chamado primeiro e caso ele não quisesse, passaria a chance de escolha para o segundo mais velho e assim seria até que alguém aceitasse.
Na volta para casa a mãe disse a ele que pensasse com calma. Era um dos pedidos mais difíceis que ela poderia lhe fazer. Chegou em casa e foi para o balanço do quintal, balançar as ideias.
Tomou-lhe o peito uma sensação de responsabilidade, de peso do tempo: decidiria algo muito importante. 
Ficar ou mudar? 
Manter ou mudar?
 A mesma turma ou amigos diferentes? 
Acordar cedo ou ter a tarde livre? 
E o Boca? E a Lili? O Garfo, o Eiras e todos os seus outros amigos? E a professora?
Mesmo diante de tanto amor por todos que cercavam suas tardes de risos e companheirismo, cutucou o coração do menino o gosto pelo que ele não sabia ainda o que é. O não saber tinha gosto de aventura, do novo. E a tarde virou noite no balanço do quintal. As estrelas chegaram e piscaram para o menino. A decisão estava tomada.


E agora??? Para saber, serão sete dias de dúvida! Confira na próxima semana o que disse o coração do menino e descubra o caminho que essa história tomou!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

As aventuras do Guminha na Chapada em : Gratidão

Estavam todos no Super Ted, o carro mais legal de todos! Guminha dormia tranquilo no colo da mãe, encostadinho em José Rei. Estavam voltando para casa depois de tantas aventuras grandiosas... Dona Maria ficou quietinha, sem querer falar nada, sem participar das conversas animadas que faziam a longa viagem parecer tão pequenina. Acarinhou o filho e ficou olhando a paisagem voltar ao verde escuro habitual, devagarzinho...a estrada ganhar curvas e os morros aparecerem para brincarem de esconder a Lua Cheia. 
Nesse momento ali quietinha, seu coração se encheu de gratidão: gratidão, luz e alegria. Os dias anteriores tinham sido incríveis e lá dentro de sua alma ela sabia que esses dias tinham o dom de se eternizarem. Gratidão por poder conhecer uma terra tão preciosa, que tinha na doçura das pessoas uma de suas maiores riquezas. Uma terra tão brilhante, que nem a energia elétrica era necessária e seus caminhos eram iluminados pelo Sol e pela Lua. Uma terra de cachoeiras incríveis, passeios encantadores e noites estreladas. Pegou o seu celular para rever as fotos tiradas naquelas dias e entendeu que nenhuma imagem ou descrição seriam suficientes para dizer o quanto tudo era belo. Uma terra de chão vermelho, fruta no pé e papagaios ao anunciando o dia e a noite. 
Lembrou do dia em que o Guminha andou pela primeira vez. Naquele dia ela não imaginava os grandes passos que seu menino daria. Agora ele escalava montanhas, descia penhascos e saltava grandes alturas, do chão ao ar e do ar ao mergulho nas águas frescas. Agora ele era amigo de José Rei e a amizade dele seria para sempre: um moraria na alma do outro, lembrando que é bom acreditar firmemente que tudo dá certo e que até o sonho mais difícil (porque nenhum sonho é impossível) se torna real. 
Olhou o Padrinho-Coragem e se sentiu grata por um dia ter lhe conhecido e serem tão amigos a ponto de serem compadres, laço eterno. O Padrinho tinha sorriso de luz, barba de noite escura e os olhos de estrelas cadentes. Era um menino grande, muito maior que seu tamanho! Era do tamanho do Por-do-Sol no fim da estrada, do tamanho da alegria das pessoas reunidas em Noite de Ano Novo. E a mãe agradeceu cada passo em que o Padrinho-Coragem deu de mãos dadas com os meninos. 
A Tia Mel viajava sentadinha perto dela: logo a Tia Mel, que registrava as aventuras com uma máquina fotográfica super bacana, fotografaria outros mundos, outros povos, outras alegrias. Dona Maria mais uma vez sentiu seu coração pleno: havia ali um gosto pelo novo, o sabor de tantas terras nos olhos verdes de Tia Mel, a sabedoria milenar de outras culturas que ela tinha orgulho em compartilhar. Uma amiga nova, para um dia de chuva andarem rindo por aí, para saber que há sempre um limite interno a ser superado. As duas sabiam, de um jeito muito delas, que a maior vitória é a vitória sobre si mesma. 
Hebe Maria estava agitada no carro, nem parecia o fim da viagem: queria ver tudo, olhar em todas as direções, partilhar sua visão. Para ela, tudo era gracioso, lindo e tanta beleza precisava ser dita. Tudo era, de fato, uma gracinha. Ela já nem se importava com o fato de ter perdido um par de brincos, um pedaço de sua máquina fotográfica, dois tênis...tinha também perdido o medo de viver de novo, de estar na estrada e deixar as noites coloridas tomarem as noites escuras. Sentia também que seriam amigas para sempre e uma estaria sempre ao lado da outra. 
Tia Raquel dirigia o Super Ted como quem dança uma música suave. Ela era isso: luz e suavidade. Dona Maria também se sentiu grata por ter nela uma nova amiga, com sabor de forró, poesia, flores e encantamento. Uma menina-mulher sábia, doce e cheia de vontade de fazer a diferença na vida das pessoas. Ser em Terra um Presente.
No rodar dos pneus do Super Ted no asfalto outras viagens foram combinadas. Outros sonhos foram sonhados e a Lua, essa danada que a tudo vira, sorria, Cheia no Céu.

***Aqui acaba a séria Guminha na Chapada dos Veadeiros. Essa sequência de histórias foi pensada para que as diferentes visões e sensações ficassem registradinhas e pudéssemos contar para vocês o quanto é BOM viajar!!! Nossa gratidão!***
José
Raquel
Danilo
Mel
Maria Cláudia
verão 2014/2015

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Guminha e as Aventuras na Chapada em : Alma farta de alegria! por Melissa Loretto


 Uma das coisas mais divertidas da vida, Guminha já descobriu: é viajar.

Um mundo todo para ser explorado e ele e sua turma resolveram começar a se aventurar em meio a natureza, embarcando no Super Ted e caindo estrada a fora rumo à Chapada dos Veadeiros.

Pela estrada, cores do fim de tarde e as primeiras estrelas da noite, foram acompanhadas de ansiedade, risadas e vaga-lumes que mais pareciam estrelas cadentes.

Super Ted estava cansadão de rodar horas e resolveu fazer um pitstop na Ecovila do amigo Juno para alimentar a alma: sombra fresca pra ele, para o Guminha e sua turma, muita alegria regada a manga colhida do pé, pé descalço, banho na lagoa, wakeboard, estrelas infinitas, constelações.

Alma alimentada de amizade e gratidão, pé na estrada de novo. E mal se sabia o quão lindo seriam os próximos dias.

Vale da Lua, Canions, Carioquinhas, Cristais, Macaquinhos, Kouros, Loquinhas, Almécegas  e São Bento. Cada dia uma cachoeira diferente, onde o Super Ted levava o Guminha e sua turma. E foram explorando cada uma delas da maneira mais divertida: dentro d’agua. Dando pulos de 2, 3, 5, 8 metros de altura, nadando igual tubarão, se revirando em centrífuga, lavando a alma e o coração embaixo das quedas.

Trilhas regadas a altas conversas, por-do-sol colorido, pula-pula na cama elástica, bombas na piscina, batata quente na sauna, bolo de cenoura para realizar os desejos logo de manhã cedinho, gergeliko, borboletas , e... faça um pedido: Estrela Cadente!!! Onde? Ali. Ali.. Outra. Ali. Outra......Uau.

Caminhando pelo vilarejo de São Jorge, Guminha fez amizades e mostrou para toda sua turma, como é quando o amor brota no peito.  Uma noite, antes de dormir, ele foi coroado o Rei da Chapada, com direito a coroa que ilumina no escuro e tudo.

E assim, chegou a hora de voltar pra casa. Guminha quis ouvir histórias sobre os Deuses da Índia no caminho, entre eles o do Deus Macaco, chamado Hanumam. Hanumam tem o poder de se tornar pequeno do tamanho de uma formiga quando preciso, e grande como um gigante em outros momentos, para enfrentar aventuras e os maiores desafios, ajudando seu amigo, o príncipe Rama a salvar sua Princesa Sita.

Todos felizes no final, assim mais uma aventura chega ao fim. Mas Guminha segue por aí, explorando o mundo e plantando flores no coração das pessoas."

*Super Ted é o veículo que transformou essa viagem numa aventura*


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

As aventura de Guminha na Chapada em: "Pé na estrada, coragem e alegria" - por Danilo Carvalho

...Algum tempo havia passado e na correria dos dias que se seguiram àquela viagem bateu a saudade dos momentos em que as horas perdem a importância e todo dia é fim de semana e o único horário que importa é o do café da manhã - imperdível, sempre! Guminha então usou seu superpoder de parar o tempo e buscar na memória os instantes nela eternizados...


Acordar cedinho com o Solzão te cutucando pra correr e aproveitar o dia cheio de sorrisos e aventuras, pés sempre descalços ,sem ligar pros raladinhos no joelho e a cabeça sempre nas nuvens (que nuvens!!)

Todo dia o menino comia alguns pedaços do seu "Bolo de Cenoura Recheado de Sorte" e caía na estrada junto com a sua turma, a cada quilômetro rodado uma vista incrivel se revelava, sempre "a dois passos do paraíso". E eram tantos passos para tantos paraísos diferentes e estar com sua trupe deixava tudo marcante especial!

Nesses lugares cheios de mágica sempre tinha aquela "água fria que esquenta a alma", aquele Sol quente que colore a pele, fruta fresquinha do pé e muita gente legal.
Em dias e noites de aventuras sem fim, nada-se como um tubarão, corre-se como uma flecha, voa-se sobre as águas, viaja-se em pensamento e quando falta coragem para coisas novas que o paraíso, agora alcançado e vivido, sem passo nenhum a ser dado nos proporciona, basta contar UM, DOIS, TRÊS e JÁÁÁÁ que o seu corpo se encherá de coragem e o que vem depois é sempre cheio de uma felicidade infinita.
Em dias assim tão especiais, vagalumes parecem estrelas cadentes e a Lua sempre está sorrindo enquanto você recarrega as energias para um novo dia!


***Esta história linda e cheia de boas energias foi escrita pelo Danilo Carvalho, numa série de cinco episódios que relatam a viagem de Guminha ao coração do Brasil! Gratidão, Danilo!***

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

As aventuras de Guminha na Chapada: Sol, sorriso e Chapada! por Raquel Abramant

_ Malas prontas !? - grita ao fundo Hebe Maria
_ Siiiiiim! - empolgado diz Guminha com o sorriso largo e o peito aberto 

_ Partiu!!! - grita num só som a turma toda!

Vento janela adentro, sorriso no rosto e o mais 
brilhante sol no porta-malas, assim começa a última aventura do Guminha em 2014. 

_ Tá chegando!? Tá chegando!? - pergunta JoséRei depois de horas na estrada 


Janelas coloridas de nuvens branquinhas, céu azul infinito,

 verde perto, verde longe e no fim de tardes incríveis o sol brilhando laranja, vermelho, multicor. 

De foguete, quase num piscar de olhos

 Guminha e a turma toda caíram no Vale da Lua, deram os primeiros saltos, flutuaram em meio a tanta alegria. E daí em diante, foi só riso, história, aventura! 

Dias que começavam com doses de amor, pão de queijo e bolo de cenoura sorte. Cantoria infinita, no vai e vem de montanhas, cachoeiras, água, muita água! 


Águas cristalinas em quedas fortes de lavar a alma, em descidas 


cheias no ensurdecer das quedas, poços fundos para os mais impressionantes saltos.

Ah! Os saltos! Guminha parecia pássaro-golfinho radiante ao ver que dali conseguiria mais um salto. Olhava, parava e sem pensar lá estava ele dentro d'água, gritando:

_ Vem JoséRei! Vem!
E depois de um, dois, três, lá estava JoséRei na água e os dois 

gritavam alto a alegria, abraçados, companheiros.
Quando lá no céu os pássaros cantavam a despedida do Sol e brilhantes dançavam as primeiras estrelas, a turma toda lá estava unindo pensamentos, compartilhando sorrisos e amor. 


Ao som da sanfona, no vai e vem de pés dançantes acabavam-se as 

noites com um animação sem fim, como flechas velozes na direção certa e o brilho incessante da luz interior que refletia a lua que acompanhava nossos corações. 
Por fim, no fim, o sorriso ficou ainda mais largo, os abraços preencheram o peito de alegria e as conversas e olhares trocados acederam ainda mais a faísca de esperança e de pelos sonhos de um mundo melhor.

Um mundo melhor! Sonhar, acreditar, lutar que seja assim o início, meio e fim de 2015

Com gritos sonoros de "eu sou o rei da chapada" termina mais uma aventura do Guminha

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Guminha na Chapada - por José Eduardo Brombal Constantino

Chegaram as férias de verão e o  Guminha e  sua família estavam pensando aonde ir até que seu padrinho, o Danilo falou : 
- Vamos para a Chapada.
Maria, sua mãe,  perguntou :
-Qual Chapada?
Danilo  respondeu
- A  dos Veadeiros!!!
Todos se animaram e combinaram de partir depois do Natal.
Eles foram de carro e  antes que dessem duas horas de viagem, Guma perguntou:
- Já está chegando?
A tia de Guma, que se chama Raquel, respondeu:
-Faltam dez horas e meia para chegar...
Aí Raquel contou sobre o ateliê dela, que tem bichinhos de pelúcia, almofadas, castelos de brincar, tudo para distrair seu sobrinho
Chegaram na casa de um amigo deles  que mora em Planaltina, chamado Juno.
No dia seguinte Guma e sua família acordaram,  comeram manga do pé, andaram de caiaque, stand up e quando deu  tês horas foram andar de wake board mais para o Guma era muito difícil, então ele foi sem prancha e voou sobre a água.
À noite  o Juno fez macarrão, todos comeram, foram tomar banho e depois dormir
Quando acordaram fizeram um presente para dar ao amigo Juno e  quando deram ele agradeceu e foram embora para Vila de São Jorge.
Depois de muitas horas chegaram na Chapada e foram direto ao Vale da Lua!
Lá o  Guma fez seu primeiro salto numa cachoeira e entrou em uma parte que parecia uma centrífuga, era um espaço pequeno com muita força, que agitava tudo.
Quando chegaram na pousada,Guminha e seu padrinho  Danillo viram que tinha piscina e pularam nela junto com a Maria! Que alegria!
Quando amanheceu  foram na Cachoeira dos Macaquinhos e  passaram o dia. Lá o Danillo pulou de 8 metros de altura e Guma pulou de seis!
Passaram alguns dias e várias cachoeiras e eles foram para casa e a tia Mel, no longo caminho da volta contou sobre os deuses da Índia para todos.

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