quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Guminha em: Caminhos

  - Oi garotinha, eu sou a Clara. Estou perdida, você pode me ajudar?
  - Oi Clara. Eu sou a Sophia. Se eu puder, sim. O que foi?
  - Me perdi na trilha. Não sei para onde devo ir.
  - Me conta o que aconteceu...
 E Clara contou para a garotinh tudo o que havia acontecido. E a menina ouviu tudo sem a interromper.  
   - Eu estava n Cachoeira do Segredo com o Guminha, o Eiras, o José Rei e a Hebe Maria. Mas eu não quis mergulhar, só fiquei ali....conversando, vendo tudo. Era tudo bonito demais, mas eu comecei a ficar com frio e como eu não ia mergulhar, decidi voltar sozinha primeiro e esperar os outros. 
  - E por que você não entrou?  
  - Porque eu achei que sentiria muito frio.
  - Mas seus amigos entraram....
  -Sim. um monte. Nadaram até a queda d'água que era enorme e tudo. Mas eu não quis.
  -Que pena, Clara. talvez ter sentido um pouco de frio valesse muito à pena. Você sabe que talvez demore até voltar nessa cachoeira. Ou que talvez nunca volte. 
  - Você tem razão. Enfim, vim caminhando e comecei a reparar nas pedras, nos bichos, no Sol passando pelas folhas das árvores e num poço maravilhoso. Acho que foi aí quee u me distraí...eu parei para apreciar o que era belo e esqueci de seguir pelo caminho conhecido.
  - Então, Clara, você não está perdida. Você só não sabe onde está. Você se encantou e seu coração te trouxe por um novo caminho. Se você tivesse mergulhado na cachoeira, teria conhecido com o corpo e com a alma o que somente seus olhos conheceram. Se tivesse vindo caminhando focada na trilha correta, não teria visto as coisas belas que você viu. Se não achasse que estava perdida, não pararia para conversar comigo. Você perdeu o controle e quando a gente perde o controle pode ficar muito triste e desesperada ou pode se entregar ao novo. Eu vou com você e juntas acharemos o caminho.
 Clara era doce, esperta, mas estava atônita e encantada diante das palavras de Sophia. Como uma menina tão pequena poderia saber tantas coisas?
Seguiram juntas e continuaram a conversar. Parecia que eram amigas desde quando o Sol e a Lua podiam estar juntos no caos. Contaram segredos, riram de coisas bobas e dentro do coração de Clara o medo deu lugar a um sentimento novo, de descobrimento. Sentia mais vontade de se jogar nas coisas, de mergulhar e não mais estar no raso. Queria o frio e o calor. Queria o doce e o azedo. Era isso: queria de tudo um muito. Queria a razão e a emoção. Olhar o mundo
com postura crítica, mas a mente aberta. Viver num mundo sem muros. Pertencer a cada lugar que fosse e ser pertencida por ele também. Sabia que seria amiga de Sophia para sempre, mesmo que dividissem para sempre somente aquele fim de tarde como lembrança. 
Quando reencontraram o caminho que Clara precisava seguir, se despediram. Se abraçaram muito forte, como as pessoas especiais umas para as outras o fazem. Sophia deu um presente para Clara:
 -Tudo isso começou porque você sentiu frio, então quero que fique com essa echarpe que está na minha mochila. Leve com você e quero que se lembre de mim. Podemos trocar cartas e postais e até fazermos uma festa no jardim! Quero conhecer seus amigos também! 
Aquela tarde de desencontro havia se tornado grandiosa. E quando algo se torna grandioso, fica muito difícil guardar para si. Clara contou tudo para os amigos quando se reencontraram. Era a mesma, mas tinha mudado. Clara agora era maior. Como um sorriso que não cabe no rosto. Grande como o caminho que todos, cada um a seu passo, caminhariam.

***A história de hoje é dedicada a pequena-grande Sophia. Que ela veja o belo e compreenda a grandeza das coisas. Que tenha seu mundo, seu mundo de Sophia, e que esse mundo seja pleno de sabedoria, paz, amor e muitos sorrisos. E que ela também colecione histórias para contar***

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