domingo, 4 de março de 2018

Alegria compartilhada é alegria redobrada



O Guminha há tempos não lia uma revista, depois que ganhou um celular de Natal, perdeu o hábito de folhear algo de papel. Naquela manhã, no barbeiro, enquanto esperava sua vez de cortar os cabelos, pegou uma num montinho e resolver ver o que ela trazia de diferente...descobriu coisas que mexendo no celular nem teria curiosidade de saber e achou tudo muito legal! Já estava quase acabando quando viu um Concurso Cultural, daqueles que é necessário juntar uma galera e fazerem tarefas juntos para ganhar. Se empolgou na hora! E na hora mesmo começou a pensar nos colegas de turma e quais deles topariam o desafio...alguns tinham cara de legal, mas não eram próximos, outros, que eram próximos talvez não topassem...teria que pedir para a professora e falar com todos de uma vez, explicar tudo certinho e tentar convencê-los a formarem uma equipe.
Depois do barbeiro, correu para casa para almoçar a super comida da avó e tomar banho para ir para o Colégio. Já tinha ensaiado o que diria para fazer tudo dar certo...logo que chegou, pediu para conversar com a Dona Cidinha e explicou tudo para a professora, que amou a ideia. Antes do intervalo, deu a palavra a ele, que com um sorrisão gigante, ficou em pé, na frente da sala toda e contou da revista e do Concurso. Se admirou de si mesmo e das palavras que dizia, porque quando tinha ensaiado na sua própria cabeça, tudo parecia mais difícil, mas os sorrisos de seus amigos foram surgindo, o encorajando a prosseguir. Lá no fundo da sala, o Marcão, que vivia com cara de jaca verde disse:
- Somos 25, precisamos de mais 25.
Guminha não tinha pensando nisso. Seu peito apertou. Marcão tinha razão. Mas um raio de Sol veio na voz da Clara:
- Guminha, eu era da outra turma, conheço todos eles! Eles vão topar! Eu te ajudo a convidar todos!
Ufa! Uma ideia nova, brilhante! Todos começaram a se empolgar, querer participar, bolar estratégias para convidar a outra turma. A dona Cidinha virou menina de novo, comovida e empolgada com a atmosfera criada por aquele desejo, coisa que que na idade do Guminha não se nota. Talvez por isso, mesmo com o agito todo, ele continuasse apreensivo: era o mostrinho do medo aparecendo com suas garras de rasgar sonhos. Mas todos aqueles meninos e meninas sorriam tanto, que o medo ficou com medo e fugiu: levados pela dona Cidinha, foram até a outra sala e, com permissão da dona Rita, convidaram a turma do lado. Lá que fez o convite foi a Clara, e as palavras dela aliviaram o coração do menino, de um jeito tão bom que ele não saberia explicar. Estava quase em outro mundo, vendo as mãos erguendo, uma a uma, dos novos amigos, diante da pergunta das professoras:
- Quem quiser participar é só se manifestar que vamos anotar os nomes.
E nome a nome foi sendo escrito por dona Rita, enquanto a dona Cidinha correu na secretaria providenciar as cópias das inscrições. No final, 50 inscritos !!!
Tão animados que estavam, nem ouviram o sinal do intervalo e nem pararam para as brincadeiras de todos os dias: estavam parecendo executivos, delegando funções, escolhendo estratégias, agindo como pessoas que têm um objetivo e sabem o caminho para chegar até ele.
Durante os dias que se seguiram, se encontravam como podiam: era no pátio durante o recreio, era na pracinha da frente depois das aulas, era na casa da Paulinha, dona do maior quintal de todos...e o Guminha percebeu que pouco se falava sobre o prêmio, que era um final de semana  no acampamento mais maneiro do mundo  e muito se fazia junto: eram agora uma corrente linda de 50 elos! Sentiu um amor diferente por pessoas que antes, para ele, não tinham relevância. União e laços foram criados entre risadas e mal entendidos, que logo eram resolvidos, porque estavam todos juntos buscando o mesmo resultado. Os 50 foram se tornando centenas, pois as pessoas abraçavam a ideia daquelas crianças, e tudo foi sendo multiplicado: eram agora milhares, já que cada um tinha muitos amigos e agora para eles havia um significado muito maior: tinham o prazer de criarem coisas para fazerem as pessoas rirem, criarem coisas geniais para alcançarem as metas. As bobagens que faziam todos rirem davam um quentinho especial no coração de cada um que se envolvia no projeto. De um jeito ou de outro todos foram tocados, pois viam o quanto de pessoas legais eles tinham por perto e que mesmo nas horas tensas (como quando acharam que tinham perdido todos os arquivos no computador do João e a dona Cidinha apareceu sorrindo com um pendrive com tudinho salvo), a vontade de ir em frente era maior que a de desistir.
O prazo final estava chegando...um dia antes do resultado ser anunciado pela empresa organizadora, o menino pediu ajuda das professoras e chegou mais cedo no Colégio. Na lousa de cada sala, escreveu um recado para as turmas: QUERO GRITAR OBRIGADO PELOS DIAS QUE VIVEMOS ESTE SONHO JUNTOS. MEU MAIOR PRÊMIO FOI ENTENDER O SIGNIFICADO DA PALAVRA UNIÃO.

Cada um que leu aquilo, sentiu um gostinho salgado de lágrima, temperado com felicidade. E agora cada um está super ocupado fazendo as malas: o ônibus sai já já. Serão quilômetros de abraços de vitória.


* O título de nossa história é também o título de uma música da banda Forfun: segue o link, ouve aí :)
https://www.youtube.com/watch?v=Fg02-SlEgSI


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