terça-feira, 10 de abril de 2018

Guminha em : ponteiros parados

Guminha subiu no morro mais alto que tinha em sua cidade...ele tentava ver a Lua mais de perto e os milhões de pontos brilhantes que haviam no céu...nessa noite deitou ali, na pedra ainda quente do Sol do dia e conversou por horas com o Silêncio.
Naquela noite o nada dito foi seu amigo. Foi o muito ouvido. Foi o falar consigo mesmo.
Tem noites que ouvir a si mesmo é dor. E há noites em que ouvir a si mesmo é a resposta mais honesta. O não dizer diz muito. E só grandes amigos podem conviver em silêncio. Há noites em que o silêncio cura.
Boa noite.

terça-feira, 27 de março de 2018

Guminha em : tudo ao mesmo tempo agora

Era um daqueles finais de semana perfeitos: Guminha, Boca, Dona Maria e mais um monte de amigos foram para a praia. Por mais que a gente saiba que o marzão sempre está lá, quando sabemos que vamos encontrá-lo dá aquela emoção misturada com ansiedade, que só passa depois do beijo da primeira onda...nesses finais de semana, a gente só dorme de exaustão, nem que seja como o Luquinha, que não aguentou esperar chegar em casa e dormiu com o prato de travesseiro na pizzaria, ou como o Nickolas, que lutou contra o sono até ser nocauteado e dormir gostoso na cama preparada pela avó, que apesar do nobre título, era uma meninona com sorriso aberto e olhos apertados de enxergar a vida longe.
Naquele final de semana teve futebol na areia, um monte de açaí, refrigerante fora de hora, a estreia de uma prancha novinha para pegar jacaré e muitas risadas. Teve música e teve silêncio também, que é quando a gente para e ouve só o coração batendo com o oceano.
Teve jogo de Uno e até truco. Teve noite estrelada e céu sem nuvens. Teve homem grandão de barba na cara brincando mais que menino, no balanço do canto da praia.
Teve a procura de conchas para guardar de lembrança, como se pudessem trazer com eles um tanto daquele final de semana. E teve o Guminha desafiando a si mesmo:
- Eu corro até a ponta da praia em 2 minutos!
- Então vamos cronometrar e ver se você consegue mesmo - disse o Boca.
Era o tipo de frase que aguça a vontade de competir e logo o Guminha saiu em disparada, logo depois do famoso "já"! E ele correu, fazendo vento nos cabelos, correu firme, focado. Luquinha correu com ele em pensamento, e como era menor, ficou ali, perto da contagem do tempo, torcendo pelo amigo...até que o Guminha apareceu lá longe e o Luquinha foi encontrá-lo, para então voltar com ele aquele trecho. Riam enquanto os pés velozes venciam a areia.
Quando chegaram descobriram que o tempo foi maior que o desejado. Uma sombra apareceu nos rostos dos meninos. Estavam desapontados. Foi quando Dona Maria logo lançou um novo desafio:
- Quero só ver quando nós viermos de novo! Certeza que você fará em menos desses dois minutos que você quis fazer hoje. Você é vencedor demais!
Eles se olharam e aceitaram a nova prova. Tinham agora uma meta: voltar, em outro final de semana tão lindo e grandioso e vencer, não a distância ou o tempo, mas a eles mesmos. Brincar era coisa séria.


Esta história é dedicada a todos aqueles que enxergam o melhor da vida e acreditam que perder hoje nos prepara para ganhar amanhã.



terça-feira, 20 de março de 2018

Guminha em: Todo Verão tem uma história





Todo Verão tem uma história. Ou várias. Ou várias que formam uma grandona. Não importa. O importante é ter vivido cada uma.
No dia 20 de março, ao chegar na escola, o Guminha percebeu umas folhas pelo chão. Na sala, a professora estava muito calma, colocando músicas inspiradoras para a turma e no lugar de cada um havia sulfite e tintas diversas. Eles deveriam desenhar algo relacionado ao Outono, que começava naquela tarde. Mas o Guminha não se focou na nova estação, mas pensou na que acabava para dar lugar a ela. Pensou no Verão e em tudo que vivera naqueles três meses.
Sentou quietinho, porque o coração pulsava forte demais, fazendo barulho na mente. Não quis conversar com ninguém, somente com seu coração. Pensou nos últimos dias de aula e nos amigos que deixou na outra turma. Pensou na correria que foi ir com a mãe para as lojas comprar os presentes de Natal e na ceia maravilhosa que tiveram na casa da avó. Pensou na viagem com a família no Ano Novo, todos juntos em contagem regressiva esperando o Ano Novo chegar. E ele chegou, em meio a abraços, gritos de alegria e fogos de artifício na beira da praia.
Pensou nos dias ali, entre ondas e amigos novos, debaixo do Sol quente e céu azul. Pensou na viagem à casa da tia Raquel, que tem cara de menina e jeito de fadinha verde, onde nem queria sair, só para ficarem conversando deitado no travesseiro de nuvem que ela costurou. Pensou nos dias ali com a mãe, a tia e o irmão, de não fazer nada e curtir muito. O Boca era seu grande amigo e naqueles dias de janeiro pareciam mais ligados que nunca. Pensou no padrinho, que tinha combinado de ir visitar mas não rolou, pois ele estava trabalhando muito e teriam que esperar outros dias para andarem de bicicleta na ladeira da rua dele.
Pensou na escola e nos primeiros dias na nova turma, o material pesando na bolsa e os sonhos leves na alma. Na menina que conheceu brincando de espuminha no Carnaval. Na chuva forte que caiu numa tarde quente e nas brincadeiras na enxurrada. Pensou nos dias que correram rapidinho e nas noites em que saíram para tomar sorvete na praça. Pensou que independente da estação, o coração dele era sempre Sol.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Guminha em : "O que o vento traz"






Numa tarde meio fria, daquelas que a mãe briga para levar o casaco e os meninos fingem esquecê-lo, Guminha partiu sozinho para o campinho, a fim de soltar pipa. O lugar estava cheio de crianças, que ajeitavam a linha e as rabiolas, mas pipa no céu que é bom, nada.

Aí o menino foi para um canto e, lembrando das aulas de Geografia, misturada com as aulas de Ciências e Matemática, percebeu que o vento tinha seu tempo certo, e assim como os pássaros, esperou pela corrente certa: plim! O pipa do menino voou alto, lindo, cheio de voltas e efeitos. Logo outros meninos se juntaram a ele ali naquele cantinho e no final da tarde, o céu azul estava colorido de pipas de muitas outras cores.
Naquela tarde, o vento trouxe com ele um amigo novo para Guminha: o Andrezão era um tiquinho mais velho que ele, mas muito mais alto. Chegou, como os outros chegaram, atraído pela pipa majestosa do menino. E como “amigos não se fazem, se reconhecem”, logo se reconheceram e trocaram ideias, técnicas sobre o papel a ser usado nos papagaios, escola, comida e a música favorita.  Se despediram querendo ficar mais tempo: amigo novo é sempre cheio de novidades e a gente quer saber todas no mesmo dia!
Houveram muitas outras tardes de vento naquele Outono, outros amigos se juntaram a eles, mas para Guminha o Andrezão era o mais legal de todos. Num dia que chegaram cedo, ele o chamou para ir para um lugar secreto, super  especial mesmo. Andrezão, louco por uma aventura, topou na hora! Nessas horas as crianças nem pensam direito, os pés correm na frente do pensamento e de qualquer ideia do que possa vir depois. Foram rapidinho para a casa do Guminha, que tinha uma mesa na lavanderia, onde Dona Maria passava roupas ouvindo rádio. Colocaram sobre ela uma escada enorme, apoiada na parede...O último degrau dava certinho numa porta de um alçapão que dava para o telhado da casa de Guminha. Lá em cima, havia uma torre de antena para televisão, do tempo em que ninguém imaginava que teríamos fibra ótica e Netflix. Lá, do alto da torre da antena de TV, os meninos estavam sobre os telhados vermelhos, um tapete mágico de telhas reluzentes ao Sol. Os melhores ventos, os voos mais altos, as pipas mais velozes, as manobras mais incríveis. Andrezão e Guminha soltaram papagaio ali por dias, tardes cheias de histórias legais e somente paravam com a chegada da primeira estrela da noite.   Logo a temporada de ventos coloridos por crianças acabou e eles tinham outras coisas para fazer, pois começaram as férias de julho e nessa época cada criança segue um rumo diferente da outra. No coração de Guminha ficou a dúvida: o vento que trouxe aquele amigo o levaria consigo?




Para desobrir, só semana que vem! Fique de olho!



Para saber mais: PIPA  também pode ser chamada de QUADRADO, ARRAIA, PANDORGA, PAPAGAIO.
Como fazer: Pegue um pedaço grande de papel leve ou de jornal e desenhe um quadrado perfeito nele.
Corte o quadrado com uma tesoura ou um estilete (cuidado!!!)
Abra o papel e coloque uma vareta de madeira na diagonal do papel para fazer a coluna. Para isso, você pode usar dois palitos de madeira ou uma vareta de bambu.
Se suas varetas forem de tamanhos diferentes, use o maior na coluna (vertical) e o menor na horizontal.
Coloque outra vareta horizontalmente cruzando com a primeira acima do centro do papel, formando 90 graus com a coluna. Confira se a coluna passa exatamente no centro da segunda vareta, ficando com comprimentos iguais dos dois lados.
Prenda as duas varetas juntas, reforçando o ponto em que elas cruzam com barbante e fita adesiva. Você também pode usar cola quente ou supercola para garantir que elas fiquem presas.
Coloque varetas nas beiradas do papel e prenda-as firmemente. Outra opção é amarrar as varetas das beiradas às varetas centrais usando barbante. Passe cola e dobre as beiradas do papel. Corte fora o excesso.
Depois de amarrar bem a estrutura, reforce a pipa com mais fita adesiva às beiradas e o centro.
Faça dois buracos na fita adesiva que prende a vareta vertical no centro da pipa, poucos centímetros acima do ponto central, para prender um fio na vareta.
Agora, da mesma maneira, faça dois buracos abaixo da linha central.
Passe um fio pelos buracos que você fez e amarre nas pontas de cada vareta deixando uma pequena folga e criando a quilha da pipa.
Use uma tira de tecido presa na ponta de baixo da pipa para fazer o rabo. Isso ajuda a pipa a voar com mais estabilidade.
Amarre um fio bem comprido ao fio da quilha, que você vai usar para controlar a pipa. Você pode usar esse fio enrolado numa peça de madeira. Está pronta!
Lembre-se : cortante não é legal!




domingo, 4 de março de 2018

Alegria compartilhada é alegria redobrada



O Guminha há tempos não lia uma revista, depois que ganhou um celular de Natal, perdeu o hábito de folhear algo de papel. Naquela manhã, no barbeiro, enquanto esperava sua vez de cortar os cabelos, pegou uma num montinho e resolver ver o que ela trazia de diferente...descobriu coisas que mexendo no celular nem teria curiosidade de saber e achou tudo muito legal! Já estava quase acabando quando viu um Concurso Cultural, daqueles que é necessário juntar uma galera e fazerem tarefas juntos para ganhar. Se empolgou na hora! E na hora mesmo começou a pensar nos colegas de turma e quais deles topariam o desafio...alguns tinham cara de legal, mas não eram próximos, outros, que eram próximos talvez não topassem...teria que pedir para a professora e falar com todos de uma vez, explicar tudo certinho e tentar convencê-los a formarem uma equipe.
Depois do barbeiro, correu para casa para almoçar a super comida da avó e tomar banho para ir para o Colégio. Já tinha ensaiado o que diria para fazer tudo dar certo...logo que chegou, pediu para conversar com a Dona Cidinha e explicou tudo para a professora, que amou a ideia. Antes do intervalo, deu a palavra a ele, que com um sorrisão gigante, ficou em pé, na frente da sala toda e contou da revista e do Concurso. Se admirou de si mesmo e das palavras que dizia, porque quando tinha ensaiado na sua própria cabeça, tudo parecia mais difícil, mas os sorrisos de seus amigos foram surgindo, o encorajando a prosseguir. Lá no fundo da sala, o Marcão, que vivia com cara de jaca verde disse:
- Somos 25, precisamos de mais 25.
Guminha não tinha pensando nisso. Seu peito apertou. Marcão tinha razão. Mas um raio de Sol veio na voz da Clara:
- Guminha, eu era da outra turma, conheço todos eles! Eles vão topar! Eu te ajudo a convidar todos!
Ufa! Uma ideia nova, brilhante! Todos começaram a se empolgar, querer participar, bolar estratégias para convidar a outra turma. A dona Cidinha virou menina de novo, comovida e empolgada com a atmosfera criada por aquele desejo, coisa que que na idade do Guminha não se nota. Talvez por isso, mesmo com o agito todo, ele continuasse apreensivo: era o mostrinho do medo aparecendo com suas garras de rasgar sonhos. Mas todos aqueles meninos e meninas sorriam tanto, que o medo ficou com medo e fugiu: levados pela dona Cidinha, foram até a outra sala e, com permissão da dona Rita, convidaram a turma do lado. Lá que fez o convite foi a Clara, e as palavras dela aliviaram o coração do menino, de um jeito tão bom que ele não saberia explicar. Estava quase em outro mundo, vendo as mãos erguendo, uma a uma, dos novos amigos, diante da pergunta das professoras:
- Quem quiser participar é só se manifestar que vamos anotar os nomes.
E nome a nome foi sendo escrito por dona Rita, enquanto a dona Cidinha correu na secretaria providenciar as cópias das inscrições. No final, 50 inscritos !!!
Tão animados que estavam, nem ouviram o sinal do intervalo e nem pararam para as brincadeiras de todos os dias: estavam parecendo executivos, delegando funções, escolhendo estratégias, agindo como pessoas que têm um objetivo e sabem o caminho para chegar até ele.
Durante os dias que se seguiram, se encontravam como podiam: era no pátio durante o recreio, era na pracinha da frente depois das aulas, era na casa da Paulinha, dona do maior quintal de todos...e o Guminha percebeu que pouco se falava sobre o prêmio, que era um final de semana  no acampamento mais maneiro do mundo  e muito se fazia junto: eram agora uma corrente linda de 50 elos! Sentiu um amor diferente por pessoas que antes, para ele, não tinham relevância. União e laços foram criados entre risadas e mal entendidos, que logo eram resolvidos, porque estavam todos juntos buscando o mesmo resultado. Os 50 foram se tornando centenas, pois as pessoas abraçavam a ideia daquelas crianças, e tudo foi sendo multiplicado: eram agora milhares, já que cada um tinha muitos amigos e agora para eles havia um significado muito maior: tinham o prazer de criarem coisas para fazerem as pessoas rirem, criarem coisas geniais para alcançarem as metas. As bobagens que faziam todos rirem davam um quentinho especial no coração de cada um que se envolvia no projeto. De um jeito ou de outro todos foram tocados, pois viam o quanto de pessoas legais eles tinham por perto e que mesmo nas horas tensas (como quando acharam que tinham perdido todos os arquivos no computador do João e a dona Cidinha apareceu sorrindo com um pendrive com tudinho salvo), a vontade de ir em frente era maior que a de desistir.
O prazo final estava chegando...um dia antes do resultado ser anunciado pela empresa organizadora, o menino pediu ajuda das professoras e chegou mais cedo no Colégio. Na lousa de cada sala, escreveu um recado para as turmas: QUERO GRITAR OBRIGADO PELOS DIAS QUE VIVEMOS ESTE SONHO JUNTOS. MEU MAIOR PRÊMIO FOI ENTENDER O SIGNIFICADO DA PALAVRA UNIÃO.

Cada um que leu aquilo, sentiu um gostinho salgado de lágrima, temperado com felicidade. E agora cada um está super ocupado fazendo as malas: o ônibus sai já já. Serão quilômetros de abraços de vitória.


* O título de nossa história é também o título de uma música da banda Forfun: segue o link, ouve aí :)
https://www.youtube.com/watch?v=Fg02-SlEgSI


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