Dia das Mães é sempre Dia das Mães, mesmo que você seja a pessoa que menos liga para datas no mundo. Se a gente não lembra parece que será excluído do Paraíso e de outros lugares felizes no além. Tipo pecado mesmo. O Guminha e O Boca lembraram, graças às professoras de cada um, aos inúmeros comerciais na televisão e a própria dona Maria, que deixava bem claro que o segundo domingo de maio estava chegando.
Criança não trabalha e se trabalha tá tudo errado, tem que brincar e estudar. Como não trabalham, não têm dinheiro. Como não têm dinheiro, tem que ter é muita criatividade. Por isso os meninos resolveram tentar fazer o bolo de chocolate da avó!
-Sozinho a gente não consegue Guma, tem que ligar forno e a mãe vai perceber tudo...
-E na vó a vó vai querer fazer, não vai ser mais nosso presente...
-E o pai?
-É, o circo do pai tá de folga! Vamos pedir pra ele ajudar!
O pai topou a história de fazer bolo e combinou de ir buscá-los no sábado à tarde. Quando ele chegou os dois estavam animados, com um papelzinho dobrado escondidinho nas mãos: a receita da dona Linda, copiada escondidinho!
Foram no mercado e já foi uma delícia estarem ali, juntos. Compraram os ingredientes e um monte de tranqueiras bem tranqueirudas boas de comer! E riam, andavam dentro do carrinho de compras, embora o segurança olhasse feio pra tanta alegria.
Chegaram logo ao trailler e foram logo começar a fazer o bolo. O pai ligou o forno e colocou a batedeira na tomada, enquanto o Boca untava a forma com margarina e farinha, pro bolo não grudar no fundo e o Guminha começou a colocar os ingredientes na tigela. Mas o Boca deixou a farinha cair, o Guminha estava rindo dele e derrubou 3 ovos que saíram rolando, maior meleca! O Jorge também não ficou atrás e tropeçou no fio da batedeira e derrubou uma xícara cheia de leite!
-Meninos, vamos parar e nos organizar aqui. Daqui a pouco fica mais fácil assar o chão.
Limparam tudo, o Guminha ia batucando uma música doida no fundo da lata de chocolate em pó. O bolo quase pronto, despejaram tudo na assadeira, mas deixaram um tantão na tigela pra lamber com colher, e aí não tinha mais pai nem filhos: todos crianças comendo aquele bolo cru com a promessa de ficar bem bom.
Enquanto o bolo assava, os meninos criaram um poema bem bacana pra entregar junto com o doce. Parecia que tudo seria perfeito. Eles só não contavam com um problema bem grandão: quando o bolo ficou pronto e a cobertura foi colocada, na hora apareceu uma vontade imensa de comer a guloseima, nem que fosse um pedacinho...Aí que foi o maior presente: ter a vontadona e se controlarem para poderem entregar tudo pronto para a mãe. Foi tão difícil que eles quase ficaram maluquinhos. Parecia que o bolo piscava e dizia :" só um pedacinho, ninguém vai ver". Mas eles resistiram!
Na manhã seguinte, entraram cedinho na casa deles, com o presente e o poema nas mãos. Ver o sorrisão da dona Maria valeu a espera!
Não teve perfume de comercial. Não teve almoço em restaurante caro. Não teve presente chique. Mas aquele bolinho era real, como o amor que sentiam uns pelos outros.
*-*
O poeminha aqui escrito foi criado por José Eduardo, que sempre ilustra nossos posts!
Valeu José!!!

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