domingo, 17 de novembro de 2013

Guminha em: "Trânsito é coisa de criança"

 Viagem bacana! Na ida o Guminha, o Boca e o Eiras nem perceberam nada, tinham acordado cedo e mal o Jorge, pai do Guma e do Boca pegou a estrada, já estavam os três roncando, babando um por cima do outro. Chegaram na praia com o pescoço doendo de dormir tudo torto e loucos pra chegar o amanhã e poderem brincar. Brincaram tanto e tanto que não sentiram os dias do feriado prolongado passarem. 
Era hora de voltar.
Estrada cheia. Cheia não, lotadinha. 
-Vai demorar? 
-Tá chegando?
-Quero fazer xixi.
Os três repetiam essas frases continuamente, até que, sem que se dessem conta, começaram a brincar de "você fede". Brincadeira de menino que está preso no trânsito né?
-Você fede mais que um repolho guardado na gaveta de meia depois de 5 dias.
-E você fede mais que um rato morto com um queijo velho na boca.
-Você fede tanto quanto um urubu vomitando o repolho que tava na gaveta de meias que o Eiras começou a falar.
-Você fede mais que o último cocô do rato morto com o queijo na boca misturado com o urubu suado que voou um dia inteiro.
Entre um "você fede" e outro, os meninos riam de doer a barriga. Até a dona Maria entrou na onda dos garotos e brincou junto. 
Claro que não era uma conversa instrutiva, nem culta, nem chique. Era conversa de meninos engraçados matando o tempo. Porque remédio para estrada cheia é bom humor e boa companhia!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Guminha e Boca em: "Por qual caminho seguir?"

-Vamos por esse caminho, Boca. A gente chega em casa mais rápido.
Sem questionar o Guminha, o menino seguiu aquela orientação e desde então, de fato, chegavam em casa uns dez minutos mais cedo, todos os dias.
Chegavam feito furacão, claro. Mochila pra um lado, tênis para o outro e o Guminha corria ligar a TV. Uma tarde o Boca começou a se questionar da razão de tudo aquilo. Aquela pressa desnecessária e tudo para ver algo que nem valia tanto a correria...
-Guminha, amanhã quero nosso caminho velho de volta. Eu não sei por que correr tanto para ficar sentado na frente da TV depois. Se você não quiser, eu volto sozinho.
Guminha percebeu que o irmão não estava bravo, nem triste, mas estava muito firme na sua decisão.
No dia seguinte, voltaram pelo caminho escolhido pelo Boca. O caminho velho era mais longo e infinitamente mais legal: passaram pelo campinho, jogaram um futebol maroto, viram a tia do geladinho e até uma menina bonita que tinha mudado ali perto e eles nem sabiam..
Então o Guminha percebeu que às vezes deixamos de fazer uma coisa que nos faz feliz, que nos completa, por uma coisa que não tem muita importância, por um caminho mais curto.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Guminha em : "Não precisa explicar"

Muitos  e muitos dias passaram sem que o Eiras visse o Guminha e o Boca.
Por muitos dias ele se perguntou se ele teria feito algo de ruim para os irmãos e provocado seu afastamento. Pensou e repensou e não achou nada de errado que pudesse ocasionar uma coisa tão séria.
Às vezes ele tinha vontade de ir lá, bater na porta, chamar por eles. Via as luzes acesas nas noites escuras e frias e se sentia só.
O inverno passou, os dias agora eram mais compridos e o Sol enchia a vida de cor. Ainda pensava nas razões de tudo aquilo, quando numa noite depois do jantar escutou um assobio conhecido, seguido de um grito:
- Aeeeee Eiras, sai pra gente brincar! Pega o skate!!!
Depois do susto de um grito tão querido no portão, já não haviam dúvidas e nem porquês. Eram amigos e tempo nenhum separaria esse tipo de amizade. Sem razões e sem cobranças, Eiras saiu, bateu o portão e foi rir lá fora.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Guminha e a conversa de gente grande

Tem dias que nem o mais alegre dos meninos consegue segurar a onda sozinho...vem um problema, outro problema e mais um depois, como se aquilo não fosse acabar nunca. Mas acaba sim. E vivendo os chamados problemas a gente aprende a encontrar as soluções e se for bem esperto, cresce com tudo isso, se torna uma pessoa melhor.
A vida do Guminha era bem legal: tinha a mãe que o amava, o pai que era querido, o irmão companheiro, uma avó extraordinária,uma casa, saúde, imaginação e muitos amigos! Mesmo assim, às vezes eles enfrentavam coisas que na hora eram ruins, mas que acabavam viando histórias ou motivo de riso.
Um dia ele estava muito, muito, muito preocupado. Como se fosse gente grande, preocupado de enrugar a carinha sempre feliz. E nesse dia da preocupação grandona ele foi abraçado com as palavras do Eiras:
-Ô Guminha, você sumiu do campinho, não me chama mais pra vir comer bolo da sua avó, não quer mais conversar na sala...que foi?
-Ah Eiras, tô lotado de problemas lá em casa!
-Problemas?
-É, um monte de coisas acontecendo em casa... - disse o Guminha bem sérião.
-Guminha você tá parecendo aquelas pessoas chatas que reclamam... - disse o Eiras meio rindo.
-É de verdade, vou te contar o que é.
E contou, contou, contou. O Eiras ouviu, ouviu, ouviu. 
-Guminha, relaxa. Tudo vai dar certo, confia em mim. Tudo sempre dá certo pra gente!
-É, eu sei.
-Então não tem motivos pra você ficar assim. Eu acho, né?
Foi o que bastou. Ter falado, ter ouvido fez muito bem ao menino. Problema tá aí pra todo mundo, mas como você vai resolver cada um deles depende de você.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Guminha em: a adaptação

-Mãe, cadê a vó?
-Saiu meu filho.
- De novo?
Era a quinta vez que Guminha perguntava da Dona Linda. A avó havia recebido um convite para trabalhar numa Feira de Malhas e tinha que tricotar várias blusas até o final de semana seguinte, para assim poder expor e vender. Desde esse convite estava atarefada entre comprar linhas, agulhas e tricotar, tricotar, tricotar...não dava tempo de assistirem TV juntos, nem de disputarem uma partida de damas ou mesmo jogar conversa fora. A avó tão ocupada era uma novidade na vida do menino e ele se sentia só.
-Mãe, eu quero a vó de volta - disse o Guminha, pedindo um abraço.
Dona Maria sabia muito bem como era essa sensação: tinha se sentido assim quando os filhos tinham ido para a escola, deixando as tardes vazias na casa sempre barulhenta e cheia de alegria.
-Filho, você vai ter que se adaptar a isso. Faz bem para a sua avó. Ela não é só nossa, minha mãe e sua avó: ela também tem a vida dela. Tem amigas, tem coisas para fazer e agora arrumou esse trabalho.
-Como eu vou fazer, mãe?
-Vai curtir o máximo que puder quando ela estiver perto. E eu tenho certeza que ela estará perto, sempre sempre sempre que puder.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Guminha em: e o resultado da prova?


Era uma tarde depois da aula. Almoçaram juntos o Sertão, o Eiras e o Guminha, todos na casa da Lili, que era bem próxima do colégio onde estudavam. Comeram macarrão com molho e carne moída até sujar a camiseta do uniforme! Tinham tido uma prova bem difícil e todos se questionavam se tinham ido bem ou mal, quais questões tinham acertado e os erros que poderiam ter cometido. Nem aquele macarrão delicioso foi capaz de tirar da cabeça dele o teste na escola.

 Depois da sobremesa, o Guminha foi com a Lili para casa dele, pois ela queria um gibi emprestado. No caminho, iam distraídos, pensando que as mães se chateariam com os resultados da prova e como seria a recuperação. Tanto pensaram  que não ouviram o primeiro piado diferente. Nem o segundo, vindo de outro pássaro. Um terceiro pássaro se juntou aos dois primeiros e logo era uma cantoria impossível de ser notada. Lili logo percebeu e, sem conseguir dizer ao amigo o que acontecia, admirou-se daquela orquestra de passarinhos tão diferentes entre si e unidos na mesma melodia!
- Guma! Escuta isso!!!
Nesse momento Guminha deixou de lado provas e recuperações e passou a observar o que a amiga lhe mostrava tão feliz. Nunca tinham presenciado algo tão grandioso e bonito assim. Nunca!
Ficaram ali, parados, só olhando: nenhuma palavra seria capaz de externar o que viam e sentiam diante daquilo. Entenderam que a vida era mágica e que nenhum problema, real ou imaginado, poderia roubar a atenção deles e fazer com que deixassem de observar os presentes que a vida nos traz todos os dias.



Esse desenho mais que especial foi feito pela Lili. Ela voltou da casa do Guminha e correu registrar o momento que tinha vivido com o amigo. No dia seguinte, bem cedo, entregou pra ele.

terça-feira, 16 de abril de 2013

guminha em trabalho em grupo


Era dia de fazer trabalho em grupo, de juntar todo mundo em casa e produzir cartazes sobre o Dia Nacional do Livro. O Eiras e a Lili vieram juntos, o Garfo chegou mastigando e a Fefa e Cacau (que nem eram da escola dos meninos) apareceram também, para ajudarem, atrapalharem e brincarem todos juntos depois, como acontece sempre que pessoas bacanas se encontram. O Boca apesar de ser de outra turma, ajudaria também.
Todos juntos começaram a definir as tarefas, o que cada um deveria fazer para o trabalho ficar digno de orgulho de todos eles. Ao Guminha coube fazer a margem.
-Não dá, eu erro.
-Como assim, erra? - questionou a Lili.
-Erro, faço torto, borro, quando estou quase terminando uma batida na mesa e eu perco tudo. Não quero, vou fazer outra coisa.
-Vai nada Guminha, vai tentar fazer dar certo. - disse Lili bem firme, já colocando um lápis grafite na mão esquerda do amigo. - Faz com lápis antes, bem fraquinho. Se der errado, você tem a chance de consertar.
- Eu nunca consigo. Eu nunca consegui.
- Pretérito, passado, já foi Guma. Agora é presente e agora você consegue.
Lili foi tão determinada nas suas palavras que o menino nada podia fazer senão acatar o que ela disse.
Só quem errou muita margem de cartaz sabe qual era o sentimento do Guminha. E só quem ouviu de outra pessoa um "você pode" na hora certa conseguiu dizer pra si mesmo "vou conseguir".


Dia 18 de abril é dia Nacional do Livro. A turma do Guminha fará doação de livros de uma maneira muito bacana e você pode participar também: escolha um livro bem legal, em bom estado e nele escreva uma dedicatória, explicando que o livro é um presente para um desconhecido. Então deixe seu livro por aí: no ponto de ônibus que você costuma usar, na estação de trem da sua faculdade, na mesa do restaurante onde você almoça correndo entre um período e outro. Leitura alimenta a alma! 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Guminha em: qual o lado certo?


-Ih professora, o Guminha é ao contrário! Nem sabe cortar uma folha na linha!
Todo mundo riu do menino, que em pé procurava a direção para conseguir cortar. A tesoura dançava em sua mão, desajeitada. No lado de dentro do garoto, aquela dor doída. Ele pensava que o chato do Marco estava certo: ele era todo ao contrário mesmo.
Já tinha sido difícil abrir a porta ao contrário, ajudar a mãe a abrir a lata de ervilha ao contrário, e agora ele pensava no violão que ele tinha ganho de Jorge encostadinho em um canto, porque ele não se entendia com as notas escritas nas cifras e o braço invertido do instrumento. Nem o mouse, sempre do lado direito do computador ajudava. E quando crescesse, como faria com o câmbio do carro?
Todos esse pensamentos correram pela cabeça do Guminha tão rápido que ele nem tinha se sentado de volta (sim, para recortar ele ficava em pé, era mania mesmo) quando a professora interveio:
- Não tem graça nenhuma Marco. Nem vocês que riram. O Guminha pode ter algumas dificuldades para recortar porque ele é canhoto.
Canhoto. Nunca ninguém tinha o chamado dessa forma. A mãe achava tão natural o menino ser virado para o lado esquerdo que nunca havia pensado em explicar a ele o que era.
- Canhotos - continuou a professora - são pessoas que usam o lado esquerdo na maioria de suas atividades porque o lado direito do cérebro comanda seus movimentos. É uma característica genética, como ser negro ou branco, ter olhos azuis ou cor de mel. Só que a maioria das pessoas é destra, ou seja, usa o lado direito para fazer as coisas, portanto o mundo dos canhotos fica todo ao contrário.
Diante daquela explicação tão bacana o Guminha se achou muito importante e ficou até orgulhoso!
No intervalo, chamou o Marco para jogarem ping-pong.A escola parou para assistir a partida: o Guminha arrasou no jogo, vencendo de uma forma incrível! Cada saque, cada ponto surpreendiam o adversário por virem do lado que ele não esperava e eram comemorados por gritos entusiasmados de todo mundo, impressionados com o "canhotinho de ouro". Ser "ao contrário" tinha muitas vantagens também!!!
E o Guminha,que achava uma besteira entrar com o pé direito nos lugares pois tinha sorte mesmo quando entrava com o pé esquerdo, sentiu sua orelha esquerda queimar:
-Sinal que estão falando BEM de mim, porque esquerdo é o lado do coração!


quarta-feira, 27 de março de 2013

Guminha e Boca em: "É mais simples quando se é criança"


Dona Maria desligou a panela onde cozinha seu feijãozinho delicioso, tirou o avental e foi até o portão, atender o chamado da Dona Dirce, sua vizinha:
-De novo, Maria, de novo! Olha, você precisa cuidar melhor dos seus filhos, eles são impossíveis!
-Como assim? Do que você tá falando?
-O Guminha e o Boca fizeram guerrinha de lama e meu muro era alvo!
-Ah, mas e seu filho? Seu filho jogou bola por cima do muro e sujou todo meu lençol que eu alvejei com tanto cuidado!
-Seus filhos isso! - disse Dona Dirce.
-Seu filho aquilo! - retrucou Dona Maria.
Eis uma conversa interminável e as então amigas, como duas leoas, defendiam suas crias:feroz e incansavelmente!
Entre uma acusação e outra, escutaram gargalhadas. Olharam as duas, ao mesmo tempo e na mesma direção. Eram os meninos, os filhos de Dona Maria, brincando com o Jucão, filho de Dona Dirce!
Enquanto os adultos brigam, quem é esperto quer mesmo é ver a brincadeira correr solta!

terça-feira, 19 de março de 2013

guminha em: quem não cola não sai da escola?



Guminha tinha uma prova muito difícil naquela manhã. Como sempre ele tinha tentado estudar nos dias anteriores, mas sempre desistia em favor de brincar, jogar, conversar e olhar um risco na parede do quarto: tudo parecia mais interessante que resolver exercícios e escrever sobre o que ele sabia.
Ele acordou bem mais cedo do que de costume.Antes do Sol. Antes da cidade começar a barulhar.
Estudou e estudou, mas o nervoso da proximidade da prova deixava cada palavra e número que lia parecerem impossíveis de serem aprendidos! A matéria ficava mais difícil e não entrava na cabeça dele e o menino começou a sentir medo de se sair muito mal.
Dona Maria, que notou aquela movimentação diferente, chamou o filho:
-Já sei,Guminha! Cola na prova. Vou te ensinar a colar.
Os olhos do menino arregalaram diante da fala da mãe, mas resolveu obedecê-la e fazer como ela mandou, pegando um pedacinho de papel branquinho e lápis.
-Anota neste papel tudo o que você precisa saber.
Rapidinho ele encheu o papelinho com as informações. A mãe olhou, olhou e fez que não com a cabeça:
- Tá muito grande. Copia menor, senão sua professora vai ver.
E o Guminha copiou. E mostrou pra mãe. E mais uma vez a mãe achou que estava muito grande para uma "cola" e fez o menino tornar a copiar. De novo, devo, de novo, de novo, até que o Guminha falou:
-Nem preciso desse papelzinho tonto! Já sei tudo.
A mãe riu, riu bem gostoso uma risada que acordou o Boca!
- Mãe, sua danada! Era tudo um truque seu!
A casa de Guminha era tão bacana que a mãe fazia o filho estudar preparando cola e às vezes as pessoas eram acordadas com risos.


terça-feira, 5 de março de 2013

guminha e boca em: do que é feita a madrugada?


Noite dessas, Dona Maria acordou com aquela vontadona de ir ao banheiro, daquelas que não dá pra negociar esperar o amanhecer. Voltando para seu quarto, ouviu barulho de conversa e risos no quarto dos filhos.
-Não acredito! Assim tarde! Amanhã ninguém vai querer saber de levantar cedo para ir ao colégio! - disse ela, entrando no quarto do Guminha e do Boca.
Nada. Os dois quietinhos, de olhos fechado e respiração serena.
-Quer dizer que vocês perceberam que eu estava vindo e ficaram mudinhos?
A mãe não percebeu nenhuma ação dos meninos. Olhou de pertinho, cutucou e nada!
 Ou eles eram  ótimos fingidores , ou ela tinha ouvido coisas ...
Pensando estar doidinha de cansaço, apagou a luz depois de dar um beijo em cada um e ia saindo do quarto quando:
-Ai Boca, eu falei pra pintar de vermelho.
Ela ia entrar no meio, dar bronca e castigo, mas mal o Guminha terminou de falar, o Boca respondeu, continuando aquele diálogo de risos e palavras, que pareciam sem sentido para a mãe, que assistia a tudo aquilo boquiaberta.
Depois de muito observar e pouco entender, sentiu-se muito feliz e realizada de ver a sintonia e a sicronia dos filhos: mesmo dormindo eram grandes amigos e até em sonho eles combinavam! 
Naquele momento ela pediu que isso perdurasse por toda a sua vida, cobriu os meninos com a mantinha que teimava em escorregar para o chão e foi deitar. 
Era mesmo uma boa noite...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Guminha e a ida ao clube


No dia seguinte, bem cedinho, Guminha acordou o Boca e logo estavam na casa do Eiras para todos juntos irem à piscina. Dos três, só o amigo sabia nadar e ele contava com ele para ajudá-lo a driblar o medo.
-As meninas sabem nadar e eu não...acho que nem vou mais! - disse o Guminha.
-Mas elas não nasceram sabendo - ponderou Eiras, meio que rindo do vacilo do amigo. - Vamos, eu te ajudo!
Era nessas horas que percebiam como eram próximos. O Eiras podia bem aproveitar disso e querer aparecer para as novas amigas, se mostrar melhor, mas ele não era assim. Era amigo, de verdade.
Chegando no clube, o Guminha apresentou o irmão e o amigo para a Cacau e a Fefa e eles puderam confirmar que elas eram muito bacanas mesmo, do jeitinho que o Guminha contou. 
Quando a gente se diverte o tempo ganha qualquer corrida e passa muito rapidão! Naquele dia de Sol, os cinco brincaram de quase todas as brincadeiras possíveis: corriam e davam bombinha para molhar todo mundo, brincavam de plantar bananeira dentro da água, faziam estrela e passavam por baixo das mãos dadas uns dos outros, fizeram castelo no fundo da piscina, eram enfim leves e livres naquela água azul, como o coração da gente tem que ser sempre! 
Foram embora todos juntos, depois de devorar coxinha com refri na lanchonete ao lado da piscina, rindo de seus dedos enrugados e de seus olhos vermelhos de cloro. Naquelas ruas, a amizade ia deixando rastro.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


***se essa rua, se essa rua fosse minha...***


Cacau, Fefa e Guminha, que se tornaram amigos ali, naquela rua da cidade, riram e conversaram um tempo suficiente para saber duas coisas: iam para o mesmo lugar - a biblioteca - e eram sócios do mesmo clube e nunca tinham se encontrado.
-Eu nunca vou...não sei nadar. Nem eu, nem o Boca.
-Mas a gente aprende! Tudo dá pra aprender! - riu para ele a Fefa.
Guminha gostava disso: de gente que não arruma problema, que arruma é solução. Que ri de si, que ri dos outros, que ri de tudo, que ri enfim.
Foram os três, caminhando sob o Sol e achando coisas diferentes e iguais entre si:
-Eu odeio suco de caju. O-D-E-I-O!
-Eu amo chupar o canudinho até o fim do suco e fazer aquele barulhinho que não pode fazer.
-Eu gosto quando eu estou com o pé gelado e daí ponho meia.
-Eu sempre ando desviando dos pedaços brancos da calçada: não quero que suje, gosto de tudo bonitinho.
-Eu nem curto banana.
-Como assim?
-Não gosto, fim.
Há tantas coisas que os unem e os diferenciam que os três foram até a biblioteca, pesquisaram, fizeram barulho e tomaram bronca da bibliotecária sem notar a tarde acabar rapidinho.
O Guminha era moleque solto e não queria que as duas achassem que era paixonite dele, então rodeou, rodeou até perguntar:
-Vamos no clube amanhã?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Guminha, Cacau e Fefa


Sabe quando a gente tem uma música tocando dentro da nossa cabeça horas e horas e sempre o mesmo pedacinho? Pois nesse dia o Guminha estava com a vitrola desse jeito na cabeça e resolveu cantarolar de verdade,para ver se a música tocando do lado de fora ajudava a tocando do lado de dentro sair dali. Era uma música que o seu pai sempre ouvia e hoje ele estava enroscado num pedacinho:
- Amanhã tudo pode acontecer, hoje a nossa vida é pequena...amanhã tudo pode anoitecer...
-Se você vem comigo eu não choro mais.
Era a Cacau. O Guminha nunca tinha visto essa menina na vida e ela chegava assim, terminando o pedaço da música que faltava.
Não teve como não rir e parar para conversarem: a Cacau morava no bairro há pouco tempo e era grudada com a Fefa, que estudava com ela. Ficaram todos amigos logo de cara.
Amizade é como samambaia da estrada, brotando sem a gente perceber de fato. Sem planejar e sem entender direito como começa. Mas a gente sempre sabe quando é para sempre.



***Bateu curiosidade para conhecer a música que o Guminha estava cantando? Tá na mão:
Tem a versão do nosso desenhista, o José, e a original, gravada em 1984 pelo Fagner. Clica nos links e curte aí!  ♫  ♫  ♫ 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Guminha e o dia da saudade


Fazia um tempinho que o avô Tonho havia falecido. Mesmo com o tempo passando, a saudade doía de vez em quando no coração do Guminha. Um dia, na casa da vó Linda, ele segredou:
-Vó, sabia que o vô disse pra mim que eu era o melhor amigo dele? Mas é só pra senhora saber, se o Boca sabe ...fica triste.
-Pode deixar meu neto, não conto nada - sorriu a avó, que sabia que o marido devia ter dito o mesmo para o neto mais novo.
-Um dia eu tava muito triste e ele me abraçou bem forte e disse que queria me dar um presente pra me agradar. Olhou bem pra mim e disse "Guminha, te dou meu coração de presente: ele é seu". E ainda depois, segurou meu rosto com as mãos dele e falou com uma lagriminha: "Seus olhos são iguais aos olhos do meu pai".
A avó precisou sair de perto do menino um pouco. Às vezes as histórias que nós vivemos são mais emocionantes que qualquer filme ou novela. 
O Guminha percebeu que a saudade andava pelo coração da avó e decidiu deixá-la quietinha. No caminho de volta para casa, passando pela banca de jornal da pracinha, ele olhou um senhor jogando damas com seu amigo. O senhor não era parecido com o avô, nem de longe lembrava o melhor avô que um menino poderia ter tido, mas algo os uniu. O homem lhe sorriu, como se entendesse e o Guminha sorriu de volta, compreendendo tudo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Guminha e o medo


Abriu a porta do quarto bem devagarinho:
-Mãe, mãe. Posso dormir aqui?
Quem nunca?
A mãe estava cansada demais para qualquer argumentação, deu espaço para o menino que tremia de medo.
-O que foi?
-Eu ouvi um barulho estranho. Acho que tem um monstro em casa.
- E cadê o Boca?
-Tá dormindo. A senhora acha que eu devo voltar e tentar salvá-lo?
A mãe riu. Fez apenas um não com a cabeça. O Boca não estava nem aí para o que estava acontecendo, não seria justo colocá-lo naquela aventura da madrugada. Aventura de terror, né?
- Mãe, você tinha medo?
- Nossa Guminha, eu morria de medo de tempestade. Meu sonho era morar num daqueles lugares assolados pela seca, para não ter que ver pingo de água caindo do céu. E hoje eu adoro, vai vendo. Adoro chuva, saio andando bem devagar, para me molhar bem!!!
- Mãe: chuva é uma coisa, monstro é outra.
-Foi o filme que você ficou vendo, meu filho. Dá um abraço aqui e dorme. Pensa em coisas bonitas.
-Eu não consigo. Você fica de mão dada comigo?
-Fico. Mas você vai ver, um dia você vai rir dessas coisas de monstro.
É, talvez um dia risse. Mas agora era melhor cobrir bem o pé, não deixar nadinha fora da coberta, porque você sabe, os monstros...













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