Embora parecesse que tinha demorado muito mais, aquele domingo chegou na hora certa de todos os outros.
Os meninos se arrumaram depois do almoço e assim que a dona Linda chegou, dona Maria chamou e avisou um aviso bem com cara de mãe:
-Comportamento lá,hein? Quero ver educação, nada de mastigar de boca aberta...
Aí sim demorou.A mãe falava, falava...Claro que tudo o que ela falou era correto, mas a ansiedade deixou o Guminha e o Boca surdinhos!
Quando eles estavam indo, foram olhando tudo, para decorar o caminho da casa do pai. A mãe estava feliz, com cara de arte. De vez em quando ela dava umas cochichadinhas com a dona Linda, mas nada se ouvia no banco de trás.
- Mãe, tá longe?
A mãe explicou que tinha combinado de encontrar o pai no caminho, perto do circo que estava armado por ali, porque ela não sabia bem o caminho.
Foram indo, indo e chegaram no lugar combinado. Nada do pai.
Os olhos do Boca se encheram de lágrimas...justo ele que sempre era o mais forte nessas horas, que sempre protegia todo mundo das coisas ruins...O coração da dona Maria apertou e ela teve uma ideia fantástica:
- Vamos entrar no circo! Não vamos perder a viagem, não. Quem topa?
No começo o Boca ia dizer não, mas vendo a dona Linda e o Guminha adorando aquela história de circo sem combinar nada antes, tirou o começo de choro dos olhos e festejou também.
O circo era lindo, como todos os circos deveriam ser. Cheiro de pipoca, algodão doce e risada de criança.
O lugar que eles sentaram era muito melhor do que eles poderiam imaginar, quase dentro do picadeiro! O Guminha e o Boca olhavam tudo, se cutucavam pra mostrar um detalhe que o outro não tivesse observado.Aí, embora fosse de tarde, as luzes foram apagando e como a lona era escura, escuro se fez no interior do circo: o espetáculo ia começar!
Primeiro veio o dono do circo, vestindo uma roupa chique, para anunciar as atrações. Teve mágico, palhaço,malabarista...até uma moça presa numa roda e um homem que atirava facas na direção dela. Nessa hora ninguém respirava, com medo do homem errar. Dona Linda até deu um grito numa hora que a faca passou pertinho do braço da moça.
O dono do circo anunciou o show dos trapezistas. No começo ficou meio ruim de olhar porque tinha que ficar com a cabeça virada pra cima e também tinha um holofote fortão na direção deles. Começou uma música e eles viram que os trapezistas estavam prontos, no altão, com uma roupa mais legal que qualquer roupa de qualquer super herói: era vermelha e tinha uns brilhos dourados e no pulso faixas das mesmas cores.
Um deles se colocou bem na beiradinha, mas bem bem bem mesmo, parecia que ia cair! Então ele se lançou no ar um pedação, até alcançar o trapézio...ele parecia flutuar!
O Boca abriu ainda mais o enorme sorriso, parecendo não acreditar. A voz dele nem saía direito:
-Guminha, é o pai.


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