terça-feira, 1 de maio de 2012

Guminha e como as amizades nascem


Um dia, na escola do Guminha, quando todo mundo estava tirando o material da mochila, a professora pediu a atenção de todos. Quando todos olharam ela olhou para a porta e fez um sinal, chamando um garoto. Ele era magrelo, usava uma munhequeira e tinha o cabelo arrumadinho. Antes da professora explicar que ele estudaria com a turma, as meninas estavam todas apaixonadas por ele. De verdade, só faltava voar uns coraçõezinhos dos olhos delas, tipo desenho animado.
- Este é o novo amigo de vocês, o Carlos. Ele vai estudar conosco a partir de hoje.
O Guminha ficou só olhando o alvoroço que foi as menininhas disputando pra emprestar o caderno pra ele copiar a matéria, mostrar o apontador e indicar onde ficava a cantina da escola. O engraçado é que essas coisas acontecem sempre, tenha você 8 ou 92 anos. Acho que no asilo quando chega um velhinho novo as velhinhas também querem mostrar o refeitório e tal. Enfim, o Carlos sentou lá, a professora tratou de acalmar as meninas e começou a aula.
O primeiro dia do Carlos foi isso, ele ali refém das meninas que queriam sua atenção. Mas logo no comecinho da aula, no dia seguinte, ele foi no lixo apontar o lápis na hora que o Guminha também estava, só pra conversarem.
-Deixa eu jogar bola com vocês hoje no recreio?
O Guminha tinha que valorizar, né?
-Ih o time meio que tá completo. Mas fica com a gente, eu vejo.
-Vou esperar então.
-Tá.
No começo o Guminha inventou de chamá-lo de Carleiras, mas logo ficou Eiras pra sempre. Claro que naquele dia eles jogaram bola juntos. Claro que quando a professora formou duplas para fazerem uma atividade eles logo sentaram juntos. Claro que quando a professora pediu um trabalho em grupo o Guminha incluiu o Eiras no grupo de amigos mais próximos dele. Claro que se tornaram grandes amigos. Todo mundo sabe quando vai se tornar um grande amigo de alguém. Às vezes não é na hora exata que as pessoas se conhecem, mas logo essa dica chega devagarzinho no coração. Com o Guminha foi assim. Na hora não, mas depois ele percebeu que ele e o Carlos seriam muito amigos.
Um dia o Boca perguntou ao irmão em que momento ele notou que era amigo do Eiras. Guminha disse que foi no dia do futebol, o primeiro de muitos que jogaram. Mas isso não era importante. O importante mesmo era que sabiam que cresceriam, teriam suas vidas em separado, mas a amizade os uniria para sempre. Não havia necessidade de prometerem nada, de combinarem nada. A vida se encarregaria de mantê-los juntos.

Um comentário:

  1. E na minha realidade foi num mero erro da vida, quisera se encarregar de me fazer comprar ingressos para a data errada, quisera eu ter tido a vontade de me unir àquele grupo do então falecido Orkut e lá estava ela, disposta a me ajudar a vender os ingressos. Naquele momento senti, ou melhor, um pouco depois eu senti que ali estava aparecendo uma grande. Depois me deu abrigo, Shakirou comigo, foi meu despertador quando precisei e até me fez uma sopa maravilhosa. "O importante mesmo [..] teriam suas vidas em separado, mas a amizade os uniria para sempre."

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