sexta-feira, 6 de julho de 2012

Guminha em dia de decisão - parte III


 Ao entrarem no estádio o Guminha sentia-se poderoso e tinha no peito a sensação de que tudo daria certo, uma soma de confiança com sexto sentido. Viu a torcida do seu time cantando junta, todinha, como se um maestro invisível regesse a todos e passou a cantar também. Gritavam, pulavam, ansiosas e felizes. No céu, aquela Lua Cheia linda assistindo a partida, brilhando forte  e indicando que aquela noite era mesmo especial.Com a Lua vieram um montão de estrelinhas para brilharem também e ouvir aquele coro tão vibrante...
Por uns momentos Guminha parou de ouvir e de ver o que acontecia a seu redor e nem sentia o Boca cutucando seu braço para ver um ou outro detalhe. Entrou dentro de si, silencioso e espectador de suas lembranças.Na sua cabeça passou um filminho em que o pai, o tio, o irmão, os amigos estavam vivendo outras histórias em outros tempos e sentiu-se lotadinho de sentimentos bons, que só aumentavam a positividade e as boas vibrações que ele mandava para o time.
O Tuco o trouxe de volta de lá de dentro:
-Vai começar!!!
E soa o apito de início de jogo. Cada chute era acompanhado de gritos, palavras apreensivas, vontade de roer a unha toda! Parecia que havia uma muralha na frente do gol do adversário! Eles cantavam, apoiavam o time, comentavam entre si o que se passava em campo: parecia que o primeiro tempo durou 90 horas no lugar dos 45 minutos de sempre!
No intervalo o pai perguntou se os meninos queriam pipoca, cachorro-quente, refrigerante. Mas nada passava naquelas gargantas com grito de gol entalado!
-Pai, tem como apertar um botão pro agora ir pra daqui a pouco? Quero que o segundo tempo comece!!!
-Não meu filho, não tem. Mas vejam - disse chamando o Boca e o Tuco para perto de si - um chaveiro do nosso time para cada um! Quando eles estiverem atacando, apertem bem forte porque daí o gol acontece.
Começa o segundo tempo, todos muito apreensivos. Na cabeça deles pintou uma sombrinha escura de medo, de viver mais um tempo de jogo cheio de tensão.Eis que o time arrancou para o ataque! O Guminha apertou o chaveiro com tanta força que...

GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLL

Olhou para o irmão e o abraçou tão forte, até serem levantados pelo pai e pelo tio Marcelo!
Gritavam o mais altão possível, pulavam, festejavam com aqueles desconhecidos tão próximos naquele instante mágico! Era uma alegria sem tamanho!
Mas ainda tinha muito, muito, muito jogo para acontecer...sem dúvida estavam mais relaxados, conversando mais, sorrindo fácil...
Do nada um lance improvável acontece: Guminha, Boca e Tuco se olharam e lembraram mais uma vez de apertar bem forte os chaveiros, como se aquele gesto ajudasse o jogador a correr mais rapidamente!

GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLL

Aquela bagunça feliz novamente!!! A torcida gritava, cheia de alegria e garra!
Fim do jogo, vitória do time. Não houve foto nesse dia. Também ninguém que estava com eles filmou nada. Mas se a gente perguntar, cada um sabe cada pedacinho dessa história. Era mais que qualquer registro que se possa manusear: era a história vivida por eles, marcadinha no coração de cada um. Era algo que eles contariam nas festas de família por anos. Era algo que um dia já velhinhos lembrariam, mesmo com a dificuldade do tempo passado. Era algo eternizado em 90 minutos.

***Há quem diga que amanhã seu salário será o mesmo no banco, quer o time ganhe ou perca. Há quem diga que é besteira ver 22 pessoas correndo atrás da bola. Há quem diga que é perda de tempo. Mas há que se olhar o mundo com os olhos de um menino e entender que sim, futebol é alegria. O mundo, meus queridos, é uma bola!***


Um comentário:

  1. Lindo e emocionante, sem duvidas me sentiria o Guma ao ir em um estádio, ainda mais numa final. E pra quem não sabe o que é torcer para um time desde pequeno (como o Guma e sua turma) não pode dizer nada a quem torce, é uma sensação incrivel. Clau parabens me emocionei ah e quero esse chaveiro pra mim, rs. Bjs

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