quarta-feira, 25 de julho de 2012

Guminha em "Hora do Banho!!!"


-Guminha vai tomar banho!
-Já vou mãe!
Era a 15ª vez que a dona Maria mandava, sempre tendo a mesma resposta.
É sempre assim: tem uma hora na vida de todos os meninos que banho vira inimigo mortal. Eles enrolam, enrolam e enrolam mais um pouco. Há quem julgue que eles fiquem porquinhos, nojentinhos ou nada disso. Vendo de longe (bem longe, para não sentir o cheirinho), banho significa que a brincadeira acabou. Siginifica nada de por os pés no chão de novo. Significa nada de futebol. Nem pode rolar no chão. Nem pode brincar de pega-pega. Meio que encerra o dia. A dona Maria é bem paciente, mas depois de quase meia hora chamando, ela apelou pra velha tática:
- Guma! Eu vou contar até três! Uuuuuuuuum...
Pronto, o alarme soou. Tava mesmo na hora de largar tudo e ir pro banho. Mas no caminho entre a roupa no cesto e o chuveiro, havia um gibi. Provavelmente o Boca tinha esquecido por ali. 
-Bem legal esse, nunca li.
E ali, peladinho como anjinho de desenho, sentadinho na camiseta suja, o Guminha passou um tempão, lendo e rindo, enquanto a água corria pro ralo, num banho de mentira que só servia para lavar o chão.
-Guminha, você está lavando atrás das orelhas? Tira toda a sujeira debaixo da unha também!
-Sim mãe!
-E sai do banho, você já tá aí faz tempo!
Nossa, e agora? O Guminha largou o gibi, molhou as pontas do cabelo e se vestiu rapidinho. 
Saiu do banheiro cheirando brincadeira da mesma maneira que entrou. Claro e evidente que a mãe percebeu e ia começar  a ficar brava quando a avó, que é mãe com açúcar, interviu.
-A vovó vai te ajudar. Olha, tem essa banheira de alumínio aqui: vou enchê-la de água e você vai tomar banho de verdade. Mas para amolecer essa sujeira toda, melhor você ficar de molho, igual roupa.
-Eu vou ficar parado lá vó?
-Não meu amor. A vovó chupou laranja, brinca com as cascas!
Essa vó era mesmo demais! Quando ela chupava laranjas, cortava em forma de cruzinha e só deixava a casca, que boiava na água.
A água morninha e o olhar da vó de "não adianta que agora você não escapa" mandaram o Guminha de verdade para o banho. E que banho! Aquelas quatro cascas de laranja viraram barcos, esquadras armadas, piratas em combate  e tudo o mais que a imaginação desse menino permitiu. Nem ligou quando a avó, com jeito, esfregou as costas dele e o pescoço, cheios de terra da brincadeira no campinho. Estava num outro lugar, onde só a imaginação daqueles que são meninos para sempre pode ir!



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